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Banco de Edir Macedo aplicou R$ 271 milhões em títulos sem valor, semelhante ao caso Master

  • 18 de setembro de 2026
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O banco Digimais, do bispo Edir Macedo, investiu R$ 271,4 milhões em chamados “papéis podres” do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), por meio do fundo Betel. A expressão se refere a ativos que perderam seu valor econômico e que hoje têm apenas valor histórico. A operação é semelhante a uma estrutura identificada no Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira (18), os ativos chegaram a representar 82% do patrimônio líquido do Digimais.

Ligação com o caso Master

O Digimais era, até janeiro deste ano, o único cotista do Betel, conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enviados à CPI do Crime Organizado do Senado. Todo o dinheiro aplicado no fundo estava concentrado em cártulas do Besc. A operação chama atenção porque o Master também utilizou papéis semelhantes em estruturas que, segundo investigadores, ajudavam a inflar artificialmente seus ativos.

As cártulas são documentos físicos que representavam ações do Besc antes da venda do banco ao Banco do Brasil, em 2008. Na operação, os antigos acionistas receberam ações eletrônicas do Banco do Brasil, mas não precisaram entregar os documentos físicos. Com isso, as cártulas permaneceram em circulação e passaram a ser utilizadas em operações fraudulentas como se ainda representassem ações do Besc. Segundo o Tesouro Nacional, esses papéis têm hoje apenas valor histórico.

Fundo deixou de pertencer ao banco

O fundo Betel foi criado em abril de 2025 e recebeu o nome atual dois meses depois, quando todas as suas cotas foram adquiridas pelo Digimais. Os papéis do Besc aparecem na carteira do fundo desde julho daquele ano e permanecem nos registros mais recentes, de agosto de 2026. A gestão era feita pela Reag, responsável também por fundos ligados ao Master.

À Folha, o Digimais afirmou que o Betel deixou de fazer parte de seu portfólio em outubro de 2025. A informação, porém, entra em conflito com dados da CVM enviados ao Senado, segundo a Folha. O banco não informou quanto teria recebido pelas cotas, caso a participação tenha sido vendida. A Reag não respondeu aos questionamentos.

Investigação da Polícia Federal

O Digimais é investigado pela Polícia Federal por suspeita de manipulação de informações financeiras para apresentar uma situação patrimonial melhor do que a real. A apuração inclui suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em relatórios e operações de crédito proibidas pela legislação. Na quinta-feira (17), o banco divulgou prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre de 2026.

A investigação também analisa a compra de precatórios e outras estratégias que poderiam aumentar artificialmente o patrimônio do banco e ampliar sua capacidade de captar recursos. Segundo a Folha, métodos semelhantes aos identificados no Master já foram encontrados no Digimais, mas o uso das cártulas do Besc ainda não havia aparecido nas investigações. Operações envolvendo esses papéis e fundos administrados pela Reag são investigadas pela CVM desde 2022.