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Vilão da vez: associado aos resfriados comuns, rinovírus dispara na Bahia

  • 30 de abril de 2026
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Matéria originalmente publicada no Jornal Metropole de 30 de abril 

O aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Salvador em 2026 tem um protagonista inesperado: o rinovírus. Associado ao resfriado comum, ele lidera as infecções em um cenário marcado pela circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios, que já pressionam a rede de saúde.

Dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) mostram que, entre janeiro e abril, foram 942 casos de SRAG notificados, sendo 541 confirmados por exame laboratorial. No mesmo período de 2025, haviam sido 746 notificações e 289 confirmações.

Proporcionalmente, o aumento no número de notificações de síndromes graves no primeiro quadrimestre do ano em relação a 2025 foi de 26%. Já no volume de casos confirmados em laboratório, o salto foi bem maior: 87%. Tamanho crescimento chama atenção, sobretudo, entre os quadros mais graves.

À frente de todos

O rinovírus aparece com 282 casos confirmados na capital este ano, bem à frente da influenza, causa da gripe comum, que soma 152 registros, sendo 142 do tipo A e 10 do tipo B. Também foram identificadas 53 ocorrências do vírus sincicial respiratório (VSR), mais frequente em crianças, 27 de adenovírus e apenas 14 de covid-19.

A comparação com 2025 ajuda a entender o que mudou. No ano passado, a covid ainda tinha presença mais significativa, com 73 casos confirmados no mesmo período. Já a influenza aparecia bem menos, com apenas 45 registros. Em 2026, o cenário virou: a gripe cresceu, a covid recuou e os chamados “vírus comuns” passaram a dominar.

Onda estadual

Esse movimento não acontece só na capital. Em toda a Bahia, os dados seguem a mesma tendência: o rinovírus também lidera. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), ele responde por 67,1% das amostras positivas entre os vírus respiratórios identificados até o último balanço, divulgado em 22 de abril. O que o torna o principal agente causador de SRAG atualmente. Isso porque o grupo de outros vírus respiratórios, que não inclui covid e influenza e abrange o sincicial e o rinovírus, representam 35,5% dos casos de SRAG no estado, acima dos 26,8% registrados nas 15 primeiras semanas de 2025.

Esse cenário não se resume ao rinovírus. Outros dados mostram que a influenza praticamente dobrou de participação no panorama geral, pulando de 8,5% para 17%. Em contrapartida, a fatia de covid-19, responsável pela pandemia que matou mais de 700 mil pessoas apenas no Brasil, caiu de 11,3% para 3,3%.

Ataque simultâneo 

Ainda de acordo com a Sesab, o total de casos de síndrome respiratória grave nos quatro primeiros meses de 2026 cresceu 8% na Bahia, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em números absolutos, saiu de 2.525 para 2.750 ocorrências. A explicação para o aumento está na circulação simultânea de vários vírus.

E é justamente aí que está o problema. Quando muitos vírus circulam juntos, cresce o número de atendimentos, internações e casos graves, especialmente entre crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças pré-existentes. Mesmo infecções consideradas leves podem evoluir para quadros mais sérios nesses grupos, exigindo hospitalização.

Vacinação contra gripe em curva de baixa

Enquanto um punhado de vírus circulam com força no estado, a vacinação ainda caminha em ritmo bem mais lento que o ideal. Na Bahia, foram aplicadas 737.062 doses contra a influenza em grupos prioritários, o que representa uma cobertura de 21,27%, ante um público aproximadamente 3,4 milhões de pessoas.
Em Salvador, o cenário segue parecido: cerca de 168 mil pessoas foram vacinadas, com cobertura de 23% entre o público prioritário, ainda distante do ideal. Especialmente, em um momento de maior circulação de vírus respiratórios.

A vacina, que protege contra os principais tipos de gripe, é indicada sobretudo para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos e gestantes, além de outros grupos prioritários, como portadores de doenças crônicas.

O Ministério da Saúde já enviou 1,7 milhão de doses para a Bahia com o objetivo de ampliar a proteção antes do inverno, período em que os casos costumam aumentar. Em Salvador, a aplicação do imunizante segue disponível nas unidades de saúde e em pontos estratégicos, com endereços disponíveis no site e nas redes sociais da SMS.

Cinco responsáveis por casos graves 

Rinovírus
É o principal causador do resfriado comum. Existem muitos subtipos, o que explica por que as pessoas podem se infectar várias vezes ao longo da vida. Os sintomas costumam ser leves: coriza, espirros, congestão nasal e dor de garganta. Raramente causa complicações graves, embora possa piorar quadros de asma. No entanto, se tornou hoje o grande motor de SRAG na Bahia.

Influenza (vírus da gripe)
Causado pela influenza tipo A e B, tende a provocar sintomas mais intensos que o resfriado comum. Febre alta, dores no corpo, fadiga significativa e tosse são típicos. Pode levar a complicações como pneumonia, especialmente em idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas. A vacinação anual é a principal forma de prevenção.

Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
É uma causa frequente de infecções respiratórias em crianças pequenas, especialmente bebês. Pode provocar bronquiolite e pneumonia. Em adultos saudáveis, geralmente causa sintomas leves semelhantes a um resfriado, mas pode ser grave em idosos e imunocomprometidos.

Adenovírus
Um grupo amplo de vírus que pode causar não apenas infecções respiratórias, mas também conjuntivite e gastroenterite. Nos quadros respiratórios, pode levar a febre, dor de garganta, tosse e, em alguns casos, pneumonia. É relativamente resistente no ambiente, facilitando a transmissão.

Covid-19
Doença que ganhou destaque global a partir de dezembro de 2019 e levou à última grande pandemia letal. Os sintomas do chamado vírus SARS-CoV-2 variam bastante, desde leves (tosse, febre, perda de olfato e paladar) até quadros graves, com comprometimento pulmonar e sistêmico. Pode gerar complicações prolongadas, conhecidas como “covid longa”. A vacinação e medidas de prevenção são fundamentais para reduzir casos graves e mortes.