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“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz Lula na ONU ao defender soberania nacional

  • 22 de setembro de 2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22). Na fala, Lula colocou o multilateralismo e a soberania no centro do debate e criticou o que classificou como ingerências externas e investidas neocoloniais. A 81ª sessão reúne líderes dos 193 países-membros da ONU.

Segundo o presidente, o Brasil  deve buscar parceiros com agendas positivas para o desenvolvimento. Lula também disse que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países vizinhos e afirmou que a democracia voltou a sofrer interferências externas em processos eleitorais.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, afirmou Lula.

Ao final do discurso, o mandatário retornou ao tema e disse que o Brasil continuará a ser um país soberano e “que ninguém, ninguém nos afastará desse caminho”.

Combate ao crime organizado

O presidente também defendeu a soberania dos países latino-americanos no combate ao crime organizado. Lula afirmou que o Brasil não precisa de presença militar estrangeira para proteger suas fronteiras e águas, mas de cooperação para combater o fluxo de armas e dinheiro que abastece organizações criminosas. Ele disse ainda que essa foi a proposta apresentada pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos.

“Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir a população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, declarou.

Pressões sobre o Pix

Ao longo do seu discurso, o mandatário brasileiro ainda afirmou que o país não irá ceder às pressões de empresas estrageiras sobre o Pix e defendeu ainda a manutenção do sistema como uma infraestrutura pública de pagamentos. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros e brasileiras”, disse.

Defesa ao fim da escala 6×1

O presidente ainda defendeu publicamente o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1 durante seu pronunciamento. “O mundo do trabalho está em transformação. Pessoas idosas querem permanecer ativas, jovens desejam empreender, o trabalhador precisa ter tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família”, afirmou.  “No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da escala 6×1, para garantir ao trabalhador dois dias livres por semana. Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres”, defendeu o líder brasileiro.

Críticas à atuação da ONU

Lula também criticou a atuação da ONU diante dos conflitos internacionais e defendeu uma reforma completa do Conselho de Segurança. Para o presidente, o órgão está paralisado e perdeu capacidade de proteger populações vulneráveis.

“Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”.

Defesa ambiental

Na área ambiental, Lula afirmou que o Brasil pode conciliar desenvolvimento econômico, redução de emissões e preservação. Defendeu a redução do desmatamento e o uso sustentável dos recursos naturais, incluindo a exploração da Margem Equatorial e de terras raras necessárias à transição energética. Segundo ele, as riquezas brasileiras pertencem ao povo e devem ser utilizadas em benefício da população.