MATRIARCA

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Luto. A Guerreira Dona São Pedro da Malhada Grande descansou no Senhor

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Dona São Pedro, 96 anos. Foto: Arquivo da família.

Comunicamos com pesar o falecimento da Guerreira São Pedro da Malhada Grande.

São Pedro Bezerra de Souza, ou simplesmente “Dona São Pedro ou Tia São Pedro”, a matriarca (mulher que governa uma família, um clã) do povoado Malhada Grande,  faleceu aos 96 anos na manhã desta terça-feira (19), no hospital do BTN, em Paulo Afonso – BA.

O sepultamento será nesta quarta-feira (20), às 7h (manhã) no cemitério da Malhada Grande.

O caso

Após uma queda e fraturar o fêmur em frete a sua residência, no dia 07 de agosto, Dona São Pedro foi internada no Hospital Nair Alves de Souza em Paulo Afonso, mas devido a falta de uma UTI, foi preciso se removida para Salvador no dia 12.

Foram 54 dias internada nos hospitais de Paulo Afonso e Salvador.

Dia 29 de setembro recebeu alta médica e voltou para Malhada Grande, inclusive recepcionada com fogos de artifícios e com a igreja de portas abertas.

Após alguns dias em sua casa precisou ser internada no Hospital Municipal Paulo Afonso (BTN), onde ficou mais de uma semana e faleceu na manhã de hoje (19). Ela lutou muito, combateu o bom combate.

Dona São Pedro é um patrimônio de Paulo Afonso e durante toda a sua vida ajudou principalmente os mais carentes.

A família agradece a todos pelas orações e gestos de carinho.

Nossos profundos sentimentos de pesar para os familiares e amigos.

“Tia São Pedro cumpriu perfeitamente a sua missão na terra, agora descansa em paz nos braços de Deus”. Disse o radialista e diretor da Rádio Angiquinho Giuliano Ribeiro.

“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda”. (2 Timóteo 4:7-8)

Um pouco da história de Dona São Pedro e Malhada Grande.

O Povoado Malhada Grande, hoje pertencente a cidade de Paulo Afonso no Sertão da Bahia tem uma história bonita com paisagens singulares e um povo hospitaleiro.

O povoado que foi fundado por Feliciano Bezerra de Souza em 1895 completou 126 anos. Em 29 de junho de 1925 nascia uma criança que daria sua vida para ajudar os mais necessitados. A devoção ao Santo Pedro era tão grande que o seu Feliciano com a sua esposa Rita Gomes de Sá batizaram a sua filha com o nome de São Pedro Bezerra de Souza, ou simplesmente ‘Dona São Pedro’.

Em entrevista ao radialista e “sobrinho”, Giuliano Ribeiro, diretamente da sua residência no Povoado Malhada Grande para o Programa Radar, ela contou várias histórias que viveu nestes 96 anos, falou do banco de madeira na frente da casa que possui 126 anos e até hoje está intacto, contou a história da passagem de Lampião, os cangaceiros e da parente Maria Bonita pela casa dos seus pais, ainda agradeceu a benção que Deus colocou na comunidade: Padre Mário, Padre Lourenço e Irmã Celina, que juntos com ela e com o povo construíram a Igreja Nossa Senhora da Conceição e organizaram a Associação Fios e Cores da Malhada Grande.

A arte de tecer em Malhada Grande remota várias gerações. Dona São Pedro mulher de muitos saberes, aprendeu ainda menina a manusear o tear com a sua tia Ana. Durante a vida fez muitas redes e mantas com o algodão que a família plantava. Dona São Pedro teve 20 irmãos (hoje todos falecidos), às mulheres ensinou a arte do tear, que passou para as filhas e netas.

A história de Dona São Pedro se confunde com a história de diversas mulheres que fizeram o mesmo trabalho em várias casas do povoado. São as tecelãs que com suas lançadeiras urdem os fios, exercitando os pés e as mãos no ritmo perfeito da arte, acostumadas desde cedo ao trabalho em busca do ‘ganha pão’ para o sustento familiar.

Perguntado pelo apresentador do Radar, Ozildo Alves, qual é o segredo de chegar aos 96 anos com muita lucidez, com muita alegria Dona São Pedro respondeu: “O segredo é não ter casado, preferi não casar para cuidar dos familiares e dos mais necessitados que batiam na porta da nossa casa”.

Dona São Pedro foi a maior liderança do povoado e disse que Deus é foi muito bom e generoso com ela e que o seu maior presente é estar ao lado da família e amigos. Dona São Pedro foi uma mulher guerreira, sertaneja que Deus colocou no mundo para ajudar o próximo.