O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele afirmou que faltam 19 dias para as eleições de 2026 e que não se sente confortável em participar da análise do caso.
Antes de deixar o julgamento, Nunes Marques aproveitou a manifestação para rebater informações que circulam sobre uma suposta relação entre seu filho, o advogado Kevin Marques, e o Banco Master.
No plenário, Nunes Marques afirmou que nunca julgou processos relacionados ao Banco Master e negou que seu filho tenha prestado serviços ou recebido pagamentos da instituição.
“Em relação a mensagens que circulam de ontem, de hoje e que sempre vão rondar autoridades no Brasil, eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”, afirmou.
O ministro disse que essas informações podem ser verificadas por meio da quebra de seu sigilo bancário. “Isso é fato, porque o sigilo bancário já foi quebrado. Não adianta se especular de outra forma, porque se o sigilo já foi quebrado, contra fatos não existem argumentos”, declarou.
Nunes Marques também afirmou ter “absoluta isenção” para analisar o caso e citou decisões anteriores como demonstração de sua atuação. “Quanto a isso, eu tenho absoluta isenção e a minha isenção está calcada e absolutamente comprovada nos votos que eu proferi”, disse.
Em seguida, o ministro mencionou seu voto pela manutenção da prisão de Daniel Vorcaro e de outras pessoas investigadas no caso. “Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, do seu pai e de outras pessoas envolvidas”, afirmou.
Nunes Marques ressaltou, porém, que o impedimento de um magistrado não depende necessariamente da existência de culpa.
O ministro ainda falou sobre a aproximação de autoridades com pessoas interessadas em processos que tramitam nos tribunais. “Sabemos que em relação a isso, todos nós, não só ministros do Supremo, mas ministros de Estado, magistrados de todas as esferas do Poder Judiciário no Brasil, sempre irão sofrer algum tipo de influência de pessoas que tentam se aproximar”, disse.
Ao final, o ministro negou ter mantido qualquer contato por mensagens com Vorcaro. “É bom que registre que em relação ao caso, eu nunca troquei nenhuma mensagem, não há registro de nenhuma mensagem minha com Daniel Vorcaro”, afirmou Nunes Marques.
Mensagens do filho
O contexto da declaração é a divulgação de diálogos encontrados no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em conversas com Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, aparecem referências a pagamentos de R$ 500 mil mensais que seriam destinados a Kevin Marques por meio da Consult Inteligência Tributária.
A assessoria de Kevin Marques, no entanto, nega que ele tenha recebido dinheiro do Banco Master ou de Vorcaro. Segundo a defesa, o advogado recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A defesa também afirma que a atuação não teve relação com o STF.





