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Dona São Pedro com 96 anos, vive o dilema da falta de UTI e Saúde eficaz em Paulo Afonso. A matriarca da Malhada Grande precisa ser transferida para outra cidade com urgência!

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Dona São Pedro. Crédito: giulianoribeiro.com.br

Infelizmente no sábado, dia 07 de agosto, no Povoado Malhada Grande, Dona São Pedro caiu e fraturou o fêmur. Em seguida foi encaminhada para o Hospital Nair Alves de Sousa, mas devido a sua idade, 96 anos, ela precisa de transferência para uma cidade que possua UTI (Unidade de Terapia Intensiva) geral. Em Paulo Afonso, interior da Bahia, só existe UTI para o tratamento da Covid-19. A idosa já tomou as duas doses da vacina e não contraiu o Coronavírus.

Desde sábado passado que Dona São Pedro vem sofrendo com fortes dores e vive o verdadeiro dilema com a falta de uma Saúde eficaz com UTI para cuidar dos pacientes com traumas e doenças diversas.

Dona São Pedro. Crédito: giulianoribeiro.com.br

O Hospital Nair Alves de Souza possui profissionais dedicados, mas não tem equipamentos e remédios necessários para resolver o problema de saúde de parte dos pacientes de Paulo Afonso e região. Para se ter uma ideia, nesta quarta-feira (11), a pressão arterial de Dona São Pedro chegou a 16 por 9 (alta) e no hospital não tinha um simples Losartana (Anti-hipertensivo), ou seja, para reduzir a pressão, foi preciso um familiar comprar o remédio em uma farmácia da cidade.

Na foto abaixo a roupa que ela está usando é do “hospital do BTN” (HMPA), mas ela está internada mesmo no hospital Nair (HNAS), tudo indica que até roupa para paciente não existe mais no hospital. Lamentável!

Dona São Pedro. Crédito: giulianoribeiro.com.br

A reportagem do site giulianoribeiro.com.br entrou em contato com o radialista e diretor da Rádio Angiquinho, Giuliano Ribeiro que é da família da idosa.  “O caso de Tia São Pedro reflete no caso de muitas outras pessoas que não têm uma Saúde Pública de qualidade. Estamos todos apreensivos com essa triste situação. Entrei em contato com diversas autoridades para solucionar esse dilema, o vereador Marconi Daniel está dando uma atenção especial e “correndo” para tentar resolver o problema. Tia São Pedro é um patrimônio de Paulo Afonso e durante toda a sua vida vem ajudado principalmente os mais carentes. Chegou a hora da gente ajudá-la também e precisamos urgentemente de uma UTI, antes que seja tarde e ela morra por falta de assistência adequada. Estamos em uma corrente de oração e com fé em Deus Tia São Pedro ficará boa e voltará para a sua casa para continuar a missão ao lado da família e amigos”, disse Giuliano.

Um pouco da história de Dona São Pedro e Malhada Grande.

O Povoado Malhada Grande, hoje pertencente a cidade de Paulo Afonso no Sertão da Bahia tem uma história bonita com paisagens singulares e um povo hospitaleiro.

O povoado que foi fundado por Feliciano Bezerra de Souza em 1895 completou 126 anos. Em 29 de junho de 1925 nascia uma criança que daria sua vida para ajudar os mais necessitados. A devoção ao Santo Pedro era tão grande que o seu Feliciano com a sua esposa Rita Gomes de Sá batizaram a sua filha com o nome de São Pedro Bezerra de Souza, ou simplesmente ‘Dona São Pedro’.

Em entrevista ao radialista e “sobrinho”, Giuliano Ribeiro, diretamente da sua residência no Povoado Malhada Grande para o Programa Radar, ela contou várias histórias que viveu nestes 96 anos, falou do banco de madeira na frente da casa que possui 126 anos e até hoje está intacto, contou a história da passagem de Lampião, os cangaceiros e da parente Maria Bonita pela casa dos seus pais, ainda agradeceu a benção que Deus colocou na comunidade: Padre Mário, Padre Lourenço e Irmã Celina, que juntos com ela e com o povo construíram a Igreja Nossa Senhora da Conceição e organizaram a Associação Fios e Cores da Malhada Grande.

A arte de tecer em Malhada Grande remota várias gerações. Dona São Pedro mulher de muitos saberes, aprendeu ainda menina a manusear o tear com a sua tia Ana. Durante a vida fez muitas redes e mantas com o algodão que a família plantava. Dona São Pedro teve 20 irmãos (hoje todos falecidos), às mulheres ensinou a arte do tear, que passou para as filhas e netas.

A história de Dona São Pedro se confunde com a história de diversas mulheres que fizeram o mesmo trabalho em várias casas do povoado. São as tecelãs que com suas lançadeiras urdem os fios, exercitando os pés e as mãos no ritmo perfeito da arte, acostumadas desde cedo ao trabalho em busca do ‘ganha pão’ para o sustento familiar.

Perguntado pelo apresentador do Radar, Ozildo Alves, qual é o segredo de chegar aos 96 anos com muita lucidez, com muita alegria Dona São Pedro respondeu: “O segredo é não ter casado, preferi não casar para cuidar dos familiares e dos mais necessitados que batiam na porta da nossa casa”.

Dona São Pedro é maior liderança e do povoado e disse que Deus é muito é muito bom e generoso com ela e que o seu maior presente é estar ao lado da família e amigos. Dona São Pedro é uma mulher guerreira, sertaneja que Deus colocou no mundo para ajudar o próximo.

Parabéns Malhada Grande! Parabéns Dona São Pedro e obrigado por existir!