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Adeus a Dona Noquinha, comerciante de Paulo Afonso, aos 102 anos

  • 26 de agosto de 2026
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Morreu nesta segunda-feira (24), aos 102 anos, Noélia Bezerra da Silva, a querida Dona Noquinha, uma das mulheres mais longevas e uma das pioneiras do comércio de Paulo Afonso.

Nascida em 6 de setembro de 1923, na cidade de Riachuelo, em Sergipe, ela chegou a Paulo Afonso no início dos anos 1950, quando o lugar ainda era conhecido como Forquilha e Vila Poty. Ao lado do marido, Boaventura José da Silva, começou uma pequena atividade comercial que, com o passar dos anos, se transformaria em uma referência para a cidade.

Dona Noquinha ficou conhecida pelo Armarinho Popular, onde comercializava linhas, materiais para costura e bordado, flores, artesanato, artigos de decoração, bonecas e arranjos para noivas, muitos deles produzidos por ela mesma. Seus produtos também eram fornecidos para outros estabelecimentos comerciais da época.

Na década de 1960, passou a manter uma banca na feira livre, então transferida para a Rua da Frente, atual Avenida Getúlio Vargas. Depois, com o marido, ampliou os negócios para outras feiras e povoados da região, levando mercadorias em um Jeep para localidades de Paulo Afonso, Glória e Água Branca.

A trajetória de Dona Noquinha foi registrada pelo historiador, professor e escritor Antônio Galdino, em seu livro De Forquilha a Paulo Afonso – Histórias e Memórias de Pioneiros. Em setembro de 2024, quando ela completou 101 anos, Galdino publicou uma emocionante homenagem no jornal Folha Sertaneja, relembrando histórias contadas pela própria pioneira durante as conversas para a produção do livro.

Mesmo já com mais de 90 anos, Dona Noquinha impressionava pela disposição e pelo gosto pela leitura. Era também uma mulher profundamente ligada à família e à história de Paulo Afonso.

Viúva pela segunda vez em 1988, criou os cinco filhos — Adigenal, Silvana, Sineide, Evandro e Evilásio — e acompanhou a trajetória da família ao longo das décadas.

Sua história também está ligada à educação de Paulo Afonso. Ela lembrava com orgulho das contribuições feitas por comerciantes para a construção do antigo Ginásio Paulo Afonso, hoje Colégio Sete de Setembro, porque acreditava que os jovens da então Vila Poty precisavam ter acesso à educação.