A importância da Chesf para a região e as mudanças gerenciais na APA

Paulo Afonso / BA

  • 15 de agosto de 2012
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Por Antônio Galdino

Foto: Antônio Galdino Foto: Antônio Galdino Administrador da Chesf em Paulo Afonso, Augusto Cézar

Houve um tempo na Chesf “que não teria dono nem Senhor”, segundo seu próprio presidente, Ministro Antônio de Oliveira Brito, em que o presidente como Alves de Souza e diretores importantíssimos como Marcondes Ferraz viviam no meio da cassacada, sujando a roupa sempre branca na lama das obras, compartilhando das festas coletivas no campo de futebol ou convivendo com os artistas da região, nos espaços da Casa da Diretoria.

Fotos: Arquivo FS Fotos: Arquivo FS Presidente Apolônio Sales na Cachoeira de Paulo Afonso

O que o jornal Folha Sertaneja queria conversar com o Administrador era sobre as mudanças dos gerentes da APA, sobre a relação da Chef com as comunidades de Paulo Afonso e região, as ações de responsabilidade social da empresa na região, considerando-se essa grande importância que a Chesf ainda exerce na região e, principalmente neste município. A Chesf tem cerca de 1.200 empregados do seu quadro e mais que outro tanto de contratos terceirizados. A folha de pagamento da empresa injeta um bom volume de dinheiro no comércio local. Na área de acesso restrito da empresa está o principal roteiro de visitação turística que é liberado por ela para que milhares de pessoas, todos os meses, conheçam parte importante do rico potencial turístico do município de Paulo Afonso, reconhecido pelo Ministério do Turismo entre os 115 municípios turísticos do Brasil.

Aliás, foi a Chesf, quando aqui ficava a sua diretoria, Dr. Antônio Alves Souza, Dr. Otávio Marcondes Ferraz, Dr. Amauri Meneses e outros diretores como Apolônio Sales, estavam na região com muita frequência, que a hidrelétrica construiu a Sala dos Visitantes, ponto inicial de visita às obras e à cachoeira de Paulo Afonso, desde presidentes da República aos estudantes que queriam conhecer esses atrativos da época.

Acervo Chesf Acervo Chesf Autoridades chegando à Sala dos Visitantes em setembro de 1950

A partir da chegada da Chesf, nasceram vários municípios na região, dentre eles, Paulo Afonso, Rodelas, Santa Brígida.

Daí porque uma mudança gerencial na Chesf, desde o seu presidente e diretores em Recife aos seus gerentes regionais em Paulo Afonso merecer espaço na mídia e, nos tempos modernos, com a maior rapidez para atender ao consumo imediato da informação através da mídia eletrônica, sites, blogs e que tais.

Na verdade, a chamada reforma administrativa na Administração Regional da Chesf em Paulo Afonso começou no início de fevereiro, com a chegada deste Administrador Regional, Augusto César, que ocupou o lugar de Gilberto Pedrosa, ligado ao Deputado Estadual Paulo Rangel e filiado ao PT, pelo qual concorreu às eleições municipais de 2008, e chegou a ser citado pela mídia, no início deste ano, como possível candidato a vice-prefeito na chapa de Anilton Bastos e foi, de forma surpreendente, afastado do seu cargo e transferido imediatamente para Salvador.

Muito ético Gilberto Pedrosa, conhecido por todos por Maninho, aceitou profissionalmente a sua transferência embora isso tenha lhe trazido sérios problemas de saúde e desestabilizado os negócios de sua esposa que acabara de abrir uma empresa em Paulo Afonso.

Augusto Cézar assumiu a gerência da Administração Regional de Paulo Afonso, na gestão do novo presidente da Chesf, João Bosco Almeida (PSB), irmão do vereador Gilson Fernandes, candidato a prefeito de Paulo Afonso por esse partido e teria sido uma indicação do Senador Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, que também indicou há alguns anos o Sr. Pedro Alcântara para o cargo de Diretor Administrativo da Chesf.

Exatos seis meses da posse de Augusto Cezar na APA, no dia 1º de agosto de 2012 acontece uma chamada “reforma administrativa” alcançando a Assessora Marileide Brasil, no cargo há quase 10 anos e é a Secretária Executiva do Programa Luz para Todos na Bahia, tinha grande influência nas decisões administrativas da Chesf em Paulo Afonso, participa ativamente das ações sociais da Chesf junto aos Conselhos municipais e no programa de Gênero, todos com foco nas “ações de responsabilidade social da Chesf”. Marileide, psicóloga de formação acadêmica e militante ativa do PT, sempre esteve também muito ligada ao Deputado Estadual Paulo Rangel. Outro que foi exonerado do cargo foi o Diretor do Hospital Nair Alves de Souza, Renaldo Teixeira Lima.

A partir daí, foi feita uma movimentação interna, uma troca de gerentes entre os órgãos e preenchidos outros cargos com a indicação de funcionários de carreira ou da estrita confiança do novo Administrador, o que também é perfeitamente natural.

Para substituir Marileide Brasil foi indicado Sílvio Roberto Camelo de França, que atua há cerca de 20 anos como gerente da Divisão Regional de Suprimento, DRSP, responsável pela área de contratações e materiais da Chesf/APA. Por seu turno, para o lugar de Sílvio Roberto foi indicado o nome de Genival Pereira Souza, conhecido como Niva, que exercia a chefia da Divisão Regional de Serviços Gerais, DRGP. Para o lugar de Niva, foi deslocado o outro Assessor da APA, Ubirany Luiz de Souza, Bira do CPA. E, para o lugar de Ubirany foi indicada Carla Maria Lima Cardoso Cruz, que exercia a chefia do Serviço de Material, SPMT, órgão ligado à DRSP, antes gerenciada por Sílvio Roberto.

Do Serviço de Transporte, SPTR, veio o economista Rafael Moraes Sales para assumir a gestão do Hospital Nair Alves de Souza, onde vai ser auxiliado por Rogério Ferreira Gomes da Silva, um técnico do Serviço de Suprimento, órgão da DRSP que assume a chefia da Unidade Administrativa Hospitalar de Paulo Afonso – UAHP.

Para substituir Rafael Moraes, no Serviço de Transporte foi indicado Clerisvaldo Souza Silva, Pelé do Memorial Chesf. A coordenação do Memorial Chesf passa a exercida pela Professora Rosângela de Souza Soares Menezes que cuidava da Comunicação da APA. Maria de Fátima Barbosa de Araújo, também da equipe de Comunicação da APA, equipe que cuidava também do Programa de Gêneros e outros de responsabilidade social da empresa, em Paulo Afonso, foi gerenciar o Serviço de Material, SPMT, no lugar de Carla Maria.

As mudanças também alcançaram o Acampamento de Itaparica, subordinado à Administração Regional da Chesf em Paulo Afonso. Ali, o Serviço de Manutenção do Acampamento, SPMA, que não foi ainda transferido para a Prefeitura de Jatobá, passa a ser gerenciado por Verônica Maria Pontes de Souza que exercia uma assessoria informal da Divisão Regional Financeira de Paulo Afonso.

Algumas das mudanças, sempre muito normais e necessárias nas grandes empresas, foram recebidas, no âmbito interno e externo da Chesf, como de viés político, considerando-se o andamento das campanhas dos candidatos a prefeito de Paulo Afonso.

Outros fatores recentes têm levado a questionamentos por parte da gestão do município “que deseja realizar projetos em áreas do chamado Acampamento da Chesf, que foi passado para ser administrado pelo município ainda na segunda gestão do Prefeito Paulo de Deus e não consegue dar cabo a esses projetos porque nesgas de terrenos nesse Bairro da Chesf são ainda patrimônio da Chesf e não têm sido liberados para estas obras municipais, o que significaria benefícios consideráveis para a população”, diz uma fonte da Prefeitura de Paulo Afonso.

A Chesf em Paulo Afonso possui dois grandes departamentos. Um, chamado Administração Regional da Chesf – APA – cuida da área administrativa, inclusive o Hospital Nair Alves de Souza, responsável por cerca de 500 empregos terceirizados, além do quadro da empresa e uma de suas Divisões Regionais, a Divisão Regional de Serviços Gerais também administra contratos de centenas de empregados terceirizados.

Foto: Arquivo FS Foto: Arquivo FS Complexo Usina PA I, II e III

O outro departamento da Chesf em Paulo Afonso é a Gerência Regional de Operação – GRP – que cuida de todo o complexo hidrelétrico da empresa na região, que inclui as Usinas Paulo Afonso, I, II, III e IV, a Usina Apolônio Sales e as Usinas Luiz Gonzaga, em Petrolândia e de Xingó, em Canindé do São Francisco. Na GRP também há muitos empregados terceirizados.

A Chesf produz em todas as suas usinas cerca de 10.700.000 quilowatts de energia elétrica, dos quais cerca de 85% saem das usinas do Complexo Paulo Afonso.

Como todas as usinas hidrelétricas estão pagas, a cada ano aumenta o lucro líquido da Chesf, agora, como diz o jornalista Clementino Heitor, um sobrenome da Eletrobrás. No ano de 2010 esse lucro foi superior a 2 bilhões de reais e em 2011 teria ultrapassado a casa dos 4,5 bilhões de reais.

Daí que, o que aparenta ser apenas uma simples troca de diretores ou gerentes nesta grande empresa, tem um peso considerável para a região porque, aqui instalada há quase 65 anos, a Chesf ainda representa a grande esperança de desenvolvimento sustentável para muitos municípios como Paulo Afonso, Glória, Santa Brígida, Abaré e Rodelas que formam a Região Turística dos Lagos e Cânions do São Francisco, criada pelo Governo da Bahia e muitos outros, a maioria deles nascidos muitos anos depois que a hidrelétrica se estabeleceu nestas terras sertanejas.