Chesf e Criação homenageiam Luiz Gonzaga com: Luiz do Sertão, 100 anos do Gonzagão

Paulo Afonso / BA

  • 16 de junho de 2012
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Na quinta-feira, 14 de Junho, a Administração Regional da Chesf em Paulo Afonso levou cerca de 200 convidados que lotaram o auditório do Memorial Chesf de Paulo Afonso para ver o Coral Chesf cantando músicas de Luiz Gonzaga e aplaudir de pé o espetáculo, Luiz do Sertão – 100 anos de Gonzagão, um projeto da Chesf/APA, realizado pela empresa Criação Comunicação e Arte, em homenagem aos 100 anos de nascimento de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

O espetáculo chamado Luiz do Sertão – 100 anos de Gonzagão foi apresentado por adolescentes reunidos pelo Padre Celso da Anunciação e Neuza Batista cujas produções, por eles assinadas, já vêm com o carimbo de sucesso!

Aos poucos, entre uma trilha sonora, efeitos de luzes e de fumaça, vão surgindo no palco os jovens atores e atrizes, moradores de bairros pobres da periferia da cidade, carinhosamente trabalhados pelo Pe. Celso. E seus rostos lindos, encaram a plateia como se fossem veteranos e consagrados atores.
Firmes nos textos, nas danças, nas coreografias foram conquistando o público e contando, entre uma cena e outra a história de Luiz, Lula, Gonzaga, Gonzação, Lua, do soldado Nascimento, de Luiz do Sertão. A cada mudança de cena, chegam os aplausos, pela fidelidade do texto do Padre Celso, pela interpretação séria e compenetrada desses jovens atores e lindas atrizes.

O Padre Celso, da Paróquia de São Francisco, tem colocado em prática a bagagem de conhecimento que adquiriu na sua formação acadêmica. É comunicólogo, especialista, mestre em Comunicação (ou seria Doutor em Comunicação?). E esse conhecimento o levou a contar e fazer refletir sobre o Sertão, o Rio São Francisco, a vida de São Francisco de Assis, dando ao novenário deste santo, em sua Paróquia, um outro sentido para o evento anual que atrai milhares de pessoas.

Foi dele, ao lado de sua parceira Neuza, a ideia de se contar a história de Maria Bonita olhada sob o ponto de vista humanista, da menina que brincava com bonecas de pano, à jovem que sonhava encontrar um bom marido, à cangaceira que provocou mudanças radicais no comportamento do bando do temível Lampião, o rei do cangaço.
A importância do que representa Luiz Gonzaga para o Nordeste, para o sertanejo, o levou a criar este espetáculo que talvez possa se chamar de documentário musical, um relicário de lembranças da caminhada de um sertanejo do Araripe que sentou praça na polícia e depois largou tudo para se dedicar à sua sanfona branca e a cantar as belezas dos sertão. Aí nasceu Luiz do Sertao – 100 anos de Gonzagão.

Em um trecho da apresentação que Padre Celso fez para o espetáculo, ele cita o próprio Luiz Gonzaga que disse: "Eu gostaria que lembrassem muito de mim, que sou filho de Seu Januário e Dona Santana, que decantei os pássaros, os animais, os valentes e os covardes, os pobres, os beatos e o Nordeste. Gostaria que lembrassem que esse sanfoneiro amou muito seu povo e o seu Nordeste".

Pe. Celso lembra que "Luiz Gonzaga do Nascimento, Luiz do Sertão, cantou a alma do povo, se tornando uma espécie de manifestação da terra por onde conflui tudo que nela respira. Estamos celebrando o centenário de nascimento deste artista único, que faz do Sertão seu canto".

Diz ainda o Padre Celso, falando de sua criação, Luiz do Sertão: "O espetáculo parte da música e uma linha da vida de Luiz Gonzaga: sua infância tocando sanfona ao lado de Januário, seu pai e os cuidados de Santana, sua mãe, no Sertão de Pernambuco; a partida para as Forças Armadas, a vida no Rio de Janeiro e o percurso de sua arte, da noite boêmia, para os céus do Brasil".
Foto: Antônio Galdino Foto: Antônio Galdino Édia Medeiros (Edinha), a figurinista do espetáculo

E conclui o criador de Luiz do Sertão: "O Rei do Baião, rei do povo, com as contradições da vida, mas ensinando a lição de quem se apropria de suas possibilidades para atingir o patamar do desenvolvimento sustentável"

Há anos ele merece e tem recebido homenagens, de grandes empresas como a Chesf que lhe dedicou espaço precioso em um dos seus relatórios anuais e deu o seu nome à Usina Hidrelétrica de Itaparica, a única do complexo da Chesf no Estado de Pernambuco, terra de Luiz Gonzaga.

O município de Paulo Afonso, onde Gonzagão esteve por 9 vezes, fazendo shows ou apenas de passagem, parando por algum tempo enquanto consertava o carro, homenageou o Rei do Baião com o título de Cidadão de Paulo Afonso.

Em uma de suas vindas a Paulo Afonso, a convite da Chesf e da Maçonaria, ele deu uma longa entrevista na Rádio Cultura e fez um show beneficente no então Estádio Ruberleno de Oliveira, hoje Álvaro de Carvalho. Eu era um comunicador e tive o privilégio de conduzir a sua entrevista na Rádio Cultura e apresentar o seu show do Ruberleno, que teve a participação de Elias Nogueira. O show rendeu 14 toneladas de alimentos dos quais, metade foi deixada, a seu pedido, na cidade de Exu, em Pernambuco e a outra metade ficou para os mais carentes de Paulo Afonso.

Há poucos dias, a Praça das Mangueiras recebeu um pequeno público para assistir a uma apresentação de Joquinha Gonzaga, sobrinho do velho Luiz.
O espetáculo Luiz do Sertão – 100 anos de Gonzagão é um projeto da Chesf que estava ali representada por Marileide Brasil, que falou em nome da Administração Regional de Paulo Afonso e por Flávio Motta, gerente Regional de Operação, grande admirador de Luiz Gonzaga e por vários outros chesfianos. Um dos advogados chesfianos de Paulo Afonso, Dr. Dantas, mantém há muitos anos um programa só com Luiz Gonzaga, todos os sábados à tarde na Rádio Bahia Nordeste.

Nessa noite memorável de quinta feira, 14 de Junho, estavam também ali no Memorial Chesf o vice-prefeito Jugurta Nepomuceno com a esposa Olivetti, os escritores e pesquisadores, Antônio Galdino, Luiz Rubem, Voldi Ribeiro e João de Souza Lima que está concluindo um livro sobre Luiz Gonzaga que será lançado no final do mês de Julho. Ali estava, empolgado, Hermes Benzota, outro fã ardoroso do Rei do Baião.

O Padre Celso, que ainda fica vermelho ao ser aplaudido, disse que "Luiz do Sertão – 100 anos de Gonzagão, é uma criação coletiva". De fato, ele próprio foi o responsável pela idealização e texto e pela musicalização. Edilson Santos cuidou da coreografia. Rafael Andrade, da Candeeiro, deixou a iluminação no ponto certo, em cada cena. Cícero Nascimento, da Fonte Viva Áudio e Vídeo fez a produção do áudio e Neuza Batista foi a produtora para uma realização da Criação Comunicação e Arte. E a figurinista Édia Medeiros, conhecida por Edinha, deu vida e cores aos personagens, como faz todos os anos, vestindo as crianças das escolas municipais no desfile do dia 28 de Julho.
E os jovens atores e atrizes, diamantes brutos trabalhados por Padre Celso e equipe, subiram ao palco, como se veteranos atores fossem, olhando a plateia de frente para depois, no último ato, aplaudidos de pé, irem ao seu encontro e trazer homens e mulheres para o centro do espetáculo, numa interação que era bem a cara do Rei do Baião, que gostara de olhar no olho do público e cantar e dançar com ele e para ele um xote, um xaxado, um baião sempre enaltecendo as paisagens, as coisas, o homem sertanejo.
Parabéns à Chesf por acreditar e investir na cultura sertaneja e no trabalho de Padre Celso e Neuza Batista, da Criação Comunicação e Arte.

Ficou a expectativa de outras apresentações, em espaços maiores como o Lindinalva Cabral, para muito mais pessoas possam ter a oportunidade de aplaudir. E por que não pensar na possibilidade deste espetáculo vir a ser apresentado todos os finais de semana, no Lindinalva Cabral ou no Creia, também para os turistas, com a cobrança de ingresso cuja renda seria destinada a cobertura dos custos e apoio aos jovens atores e atrizes?.

Por que não se pensar em levar esse espetáculo para as cidades vizinhas, como as que formam a Região dos Lagos e Cânions do São Francisco (Glória, Santa Brígida, Abaré, Rodelas, além de Paulo Afonso) e outras? Ficam as sugestões e o aplauso, em nome do Conselho Regional de Turismo desta Zona Turística.
Estes são os jovens atores do elenco de "Luiz do Sertão – 100 anos de Gonzagão" que viveram intensamente esse grande momento levando a emoção e eles próprios, não seguraram as lágrimas, abraçados, no camarim, depois de serem carinhosamente aplaudidos de pé por todos da plateia. Sucesso, jovens!

Luiz Menino: Jonny Silva
Luiz Adulto: Clayton Barbosa
Januário: Paul Henrick
Santana: Jany Valéria
Humberto(Teixeira): Márcio Silva
Marinês: Simara Auany
Dominguinhos: Jonatas Silva
Camélia(Alves): Anne Karine
A Voz: Raissa Campos
Mariquinha: Bruna Araújo