Quero homenagear pessoas que vivenciaram momentos de extrema alegria nos Carnavais que eram regidos pelas marchinhas, grandes orquestras de frevo, clubes lotados, mela-mela, samba do Bafo e dos Leões, encontro de estudantes que viviam fora de Delmiro, festa de luz, fantasia, emoção, sonho e alegria.
Quero saudar a memória de Antonio Cardeal, Argemiro Batalha, Zé do Carmo, Zé e Mané de Zulmira, Luiz "Trocate" (assim mesmo!), Torinha, Terezinha do Jaraguá, Augusto da Ema, Nozinho Feitosa… E todos os foliões, cantando em uníssono: "Foi bom te ver outra vez… Vou beijar-te agora…"
Não podemos viver do saudosismo, mas, vez em quando, é muito bom sentir saudade… Saudade de um tempo em que a gente esperava o ano todinho pelo Carnaval para brincar mesmo, extravasar a alegria, encontrar os amigos, vestir a fantasia e "pular" ao som mágico das marchas carnavalescas que hoje estão meio que "fora de moda", mas que eram pura poesia aos nossos ouvidos.
Foi assim que surgiu o Pompeu, foi assim que Zé do Carmo começou o Bacalhau, foi assim que os "meninos" Miraldo, Silvano, Armando, Januário, Penteado, começaram o Bafo de Cana, foi assim que começou a ser armado o palco para o Carnaval de hoje em dia.
No imperativo do "quero", quero mesmo é falar do tempo mágico dos Carnavais de minha infância, juventude. Quero mesmo é prestar uma grande homenagem a todos os foliões delmirenses que são hospitaleiros, que sabem dar e receber carinho, que gostam do abraço, do chamego e da explosão de uma festa tão boa, tão criativa, tão popular, tão genuinamente brasileira, tão espetacular como é o Carnaval – e só entende o que eu digo quem gosta, quem já brincou nos antigos Carnavais e quem hoje pega carona no Carnaval da moçada do século XXI.
Quero mesmo é ver cair a Serpentina e o Confete! Quero mesmo é ouvir o rufar dos tambores, o soar dos clarins, e a introdução mágica de nossa velha e boa "Vassourinha", que, ao ser ouvida, desperta um "ê!ê!ê!" até naqueles que estão com o sono chegando!
Não me vejam, por favor, como uma pessoa triste, que só se lembra do passado… Não! Saúdo, com toda alegria, os foliões de hoje e, principalmente, as pessoas que abraçaram o Carnaval de Delmiro, como Tadeu Mafra, todos os meninos
que trouxeram o Bafo da Cana de volta, os que brincam no Pompeu (que eu adoro!), os organizadores do evento todo, com maravilhosa estrutura de palco, som, segurança… Salve, ó Guerreiros de Momo! Meu aplauso para todos vocês que ainda fazem meus olhos brilharem e os meus lábios abrirem-se num sorriso de canto, quando penso: já é Carnaval, cidade! Acorda pra ver!
Que vocês brinquem um Carnaval bem gostoso, não deixando nunca morrer a magia que o envolverá sempre! Brinquem um Carnaval com responsabilidade, evitando os excessos (todos eles!), colocando a diversão em primeiro plano, mas sem esquecer que os dias mágicos acabam e dão lugar à rotina nossa de cada dia… Afinal, no nosso Brasil, o ano só começa de verdade depois do Carnaval, não é?
Sei que os nossos antepassados estão lá, no andar de cima, ansiosos por assistir a mais um Carnaval em Delmiro!
A eles, nossa saudade e a alegria por mais um ano de festa momesca que, durante quatro dias mágicos nos faz sentir mais jovens, mais vivos, mais ávidos por chuva, suor e cerveja!
Feliz Carnaval, delmirenses!
Por Hermância Feitosa



