O promotor teria dito que a violência em Atalaia estaria associada à presença dos sem-terras, mas afirmou que se referiu a pessoas que se infiltram no movimento para cometer crimes, lembrando que o município faz parte da rota do tráfico de drogas e vem registrando constantes casos de assassinatos contra jovens.
"Além dos parlamentares, o major J Cláudio, comandante da 4ª Companhia e o juiz da cidade participaram da audiência pública. No município vêm ocorrendo execuções de jovens entre 15 e 20 anos. Até eu fui vítima, em fevereiro deste ano, de um atentado. Dois pistoleiros invadiram meu gabinete para tentar me matar" informou.
O promotor afirmou que reconhece o trabalho relevante do movimento dos trabalhadores sem-terra no município, que vem sendo "enrolado", tanto pelo Governo estadual quanto Federal. Segundo ele, sua função enquanto promotor é defender o interesse comum dos cidadãos.
"Tem sim muita gente infiltrada, roubando e matando e quem paga a conta é o MST, mas há muitos trabalhadores de bem. Se eu não puder reclamar da violência não sei onde vamos parar. Mataram até uma juíza no Rio. Eu procurei o Conselho de Segurança e a Secretaria de Defesa Social para tentar resolver a situação", lembrou.
Araújo disse ainda, que houve um sequestro em Atalaia no qual líderes do movimento estavam envolvidos. "Tive que denunciá-los, talvez por isso muitos não gostem de mim. O processo está em tramitação e a vítima morreu um tempo depois. Mas, não tenho nada contra eles, só fiz meu trabalho. Minha índole não é de atacar ninguém", ressaltou.
MST
Débora Nunes, da Direção Nacional do MST, que participou de uma reunião nesta terça-feira (11) com o procurador-geral do Ministério Público, Eduardo Tavares, para questionar a posição do promotor, disse que o problema não foi gerado pela declaração de Araújo e sim, pelos efeitos que isso pode causar.
"O promotor parece acreditar que bandido bom é aquele que está na pedra do IML. Todos sabem que Atalaia é um local de constantes conflitos por terras. Três trabalhadores já foram assassinados no município devido a essas disputas. Se há bandido que a Polícia investigue e prenda", ressaltou.
Ela lembrou que os trabalhadores sem-terras vêm dando uma grande contribuição ao município. "Eles têm promovido o acesso das famílias à terra, além de comercializarem seus produtos em feiras. A declaração do promotor legitima a violência", afirmou Débora, explicando que o procurador-geral disse que essa não é a visão do MP.
"O procurador disse que o movimento luta pela cidadania e cumpre um papel importante. Vamos entrar com uma representação no MP contra o promotor, para evitar que abusos desse tipo sejam cometidos, tanto contra os trabalhadores sem-terra quanto contra qualquer cidadão", reforçou. .
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