Documentário sobre Ayrton Senna é cotado para Oscar

Melhor filme estrangeiro

  • 18 de agosto de 2011
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Ainda longe da cerimônia e sem ao menos ter escolhido qual produção vai concorrer ao Oscar de filme estrangeiro, o Brasil já tem um forte candidato a ser indicado à festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: o campeão Ayrton Senna. Personagem do documentário inglês "Senna", o piloto de Fórmula 1, morto em 1994, tem atraído um bom público para os cinemas dos EUA, onde estreou na última sexta-feira em apenas duas salas – uma em Los Angeles, outra em Nova York.

No fim de semana, o filme arrecadou US$ 66 mil, um resultado ótimo para um circuito limitado e independente, o que faz dele a melhor média de arrecadação de um documentário nos Estados Unidos neste ano. O feito repercutiu entre os jornais americanos. Ao "Los Angeles Times", o distribuidor de "Senna", John Sloss, afirmou: "Nós sabíamos que atrairíamos muitos entusiastas de automobilismo, mas também tivemos um público feminino muito bom." Sloss é o diretor da Producers Distribution Agency, uma empresa recém-fundada, que tem em "Senna" seu segundo lançamento. O anterior foi também um documentário e também um sucesso independente: "Exit through the gift shop", do artista de rua Banksy, que acabou indicado ao Oscar.

Dirigido por Asif Kapadia, "Senna" deixa de lado a vida pessoal do piloto e tem como maior trunfo as imagens de arquivo dos bastidores da Fórmula 1 e das corridas. As reuniões que precediam os grandes prêmios são reveladoras de como o esporte era parcialmente movido por política e de como Senna enfrentava seus cartolas. Outro destaque é a rivalidade do piloto com o francês Alain Prost.

"Senna", que estreou no Brasil em novembro de 2010, passou depois pelo Festival de Sundance 2011, onde recebeu o prêmio do público. Nos sete países fora dos EUA em que já foi exibido em circuito comercial – entre eles Inglaterra, Austrália e o próprio Brasil -, o filme teve um faturamento de US$ 7,2 milhões. Até o fim do ano, ele deve estrear em México, Nova Zelândia e Coreia do Sul. A ideia de seus distribuidores é, ainda, expandir o documentário para 15 telas em 11 estados americanos já para o próximo fim de semana.

Por tudo isso, os analistas começam a apostar em "Senna" para a disputa do Oscar de melhor documentário. Se a expectativa se realizar, será uma repetição da presença brasileira na cerimônia, depois que "Lixo extraordinário", uma coprodução da Inglaterra com o Brasil, focada no trabalho do artista plástico Vik Muniz com catadores de lixo de Jardim Gramacho, concorreu ao prêmio em 2011.

Fonte:O Globo