"Crime no Brasil segue de avião, já o poder público se desloca de carroça", ddiz ministra
Em um hotel de Maceió, representantes do Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado do Norte – Nordeste (GNCOC) se reuniram com representantes do Ministério Público Alagoas (MPE/AL) e do Tribunal de Justiça (TJ/AL) para um troca de experiência singular. O evento contou com a presença especial da Corregedora Nacional de Justiça, Ministra Eliana Calmon, que na oportunidade fez um duro discurso, questionando o posicionamento do poder legislativo.
"O crime organizado no Brasil (sic) ‘anda’ de avião, enquanto o poder público se desloca de carroça. Precisamos de uma melhor atuação dos órgãos públicos, já que a população, em geral, solicita de forma rápida uma resposta por parte do Estado", discorreu a ministra, colocando a exclusão social como principal fator no acúmulo e no crescimento aritmético da violência em todo o território nacional.
"Durante todo esse tempo, o crime organizado se estruturou de forma salutar e não acompanhamos o crescimento desejado. Esse tal de ‘sistema’ que encanta os magistrados do Brasil não pode exercer o poder de ilusão. Nossa obrigação é incomodar. Ao perder isso, deixaremos de cumprir nossa função constitucional", alertou a representante do CNJ.
Calmon questionou também a postura do Legislativo Nacional, ressaltando que os ‘representantes’ do povo não mostram interesses nas mudanças das leis, já que o atual modelo concede uma blindagem aos parlamentares.
"Em todas as investigações que participamos, os caminhos levavam à Câmara Federal. Temos que acabar com esse absurdo que lesa os cofres públicos em milhões de reais", recomendou a magistrada, destacando a região Norte-Nordeste como principal em focos de atenção do poder público, já que, segundo ela, o estado Alagoas apresenta uma cultura feudal na representação do poder legislativo.
"Na região Norte temos um segmentos de forasteiros se deslocam para os estados realizando os ‘estragos’ e logo depois voltam para as suas terras. No nordeste, em especial Alagoas, temos dados que desenham que a cultura ainda é feudal", finalizou a magistrada, colocando ainda que os casos dos parlamentares alagoanos que respondem a processos necessitam de atenção e acompanhamento do judiciário.
O Procurador Geral do Ministério Público de Alagoas (MPE/AL) Eduardo Tavares destacou a importância do encontro, salientando que a troca de experiência é de fundamental importância para o sucesso do combate ao crime. "O Crime organizado é o mal do século e nossa obrigação e combatê-lo de forma eficaz", defendeu Tavares.
Fonte: cadaminuto



