Mineiro ignora altura: Lucas Marques superou as mais difíceis paredes do Cânion do Talhado

Primeiro evento de escalada livre no Brasil

  • 24 de fevereiro de 2011
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O último final de semana marcou a chegada ao Brasil do primeiro evento de escalada livre em rochas cercadas por águas profundas, o Red Bull Psicobloc. Durante os dias 19 e 20 de fevereiro, o Cânion do Talhado, no Sertão Alagoano, recebeu seis dos melhores atletas da escalada esportiva brasileira para um desafio às suas imponentes paredes de arenito, com inclinação negativa e elevado grau técnico, sem a utilização de cordas ou qualquer equipamento de segurança.

 

No estilo de escalada conhecido como psicobloc, os atletas têm o volume de água localizado na base das falésias – seja em rios, mares ou lagos – como única forma de amortecer as inevitáveis quedas, que podem ultrapassar os 20 metros de altura. A prática surgiu na década de 1970 em Mallorca, na Espanha, mas começou a desenvolver no Brasil principalmente em 2010. O fator psicológico de se escalar sem equipamentos é o maior desafio para os escaladores tradicionais.

 

Para impulsionar o nível da modalidade no Brasil e proporcionar intercâmbio entre a cena, o Red Bull Psicobloc trouxe pela primeira vez ao país os renomados espanhóis Iker e Eneko Pou – dois dos mais respeitados nomes do montanhismo internacional, com vasta experiência em vias de psicobloc, além de grandes feitos na escalada tradicional. Os irmãos conheceram o local através dos cariocas Felipe Dallorto e Flavia dos Anjos, que descobriram os paredões de arenito em junho de 2010 e foram os curadores responsáveis por indicar os convidados brasileiros para o encontro.

 

Quem melhor se adaptou à vertente mais exótica da escalada em rocha foi Lucas Marques (26), natural de Uberlândia e morador do Rio de Janeiro há oito anos. Destemido e sem demonstrar qualquer intimidação com a possibilidade de grandes quedas, o atleta foi o único a completar a via apontada pelos espanhóis para o desafio, com cerca de 26 metros de altura e grande nível técnico, equivalente ao 8º. grau no padrão do Brasil. O pentacampeão brasileiro de escalada César Grosso, de São Paulo ficou em segundo e o experiente escalador carioca Ralf Cortes completou o pódio.

 

"Sempre que eu entro em uma parede, quero ir até o final. Minha escalada é livre e por isso eu nunca penso em descer. Sabia que eu estava escalado bem, mas não imaginei que fosse vencer. Foi bom ter conseguido evoluir no psicobloc", disse Lucas, que estuda arquitetura no Rio de Janeiro e possui um blog especializado em escalada.

 

Além do desafio competitivo, o fim de semana serviu para a exploração de novas vias e constante troca de experiências entre participantes, curadores e os irmãos Pou. Encantado com o potencial do lugar para o esporte, Iker Pou (32) acredita no estabelecimento do Cânion do Talhado como importante sítio de psicobloc no Brasil. "As paredes ainda foram pouco exploradas e apresentam muitos trechos frágeis. Mesmo assim, o nível apresentado por todos aqui foi excelente", analisou Iker.

 

Por Assessoria
Fotos:
Marcelo Maragni/Red Bull Content Pool