Baianas lavam adro e escadarias da Igreja do Bonfim
Dezenas de baianas vestidas a caráter lavaram o adro e as escadarias da Igreja do Bonfim, no final da manhã desta quinta-feira, 13. Milhares de pessoas vestidas de branco acompanharam o cortejo que saiu da Basílica da Conceição da Praia por volta das 9h, conduzido pelas baianas e bandinhas de música.
Na chegada ao templo, o governador Jaques Wagner e a primeira dama Fátima Mendonça entraram no adro da igreja, tocaram no portão principal do templo e rezaram para o Senhor do Bonfim. Do alto de uma janela superior do templo, o cônego da Igreja do Bonfim, Edson Menezes da Silva, abençoou a multidão, enquanto o Hino ao Senhor do Bonfim era tocado em alto volume.
A festa do Bonfim foi aberta com um ato inter-religioso, que começou por volta das 8h40, em frente à Igreja da Conceição da Praia, no Comércio. O ato teve como mestre de cerimônias o garoto Álvaro Cruz, 12 anos, integrante de projeto
artístico e cultural ligado à Fundação Cidade Mãe. O cortejo saiu por volta das 9h, e no percurso, pais-de-santo deram banho de folhas nas pessoas.
Na saída do cortejo, o governador Jaques Wagner disse que foi à festa agradecer e pedir, não por ele, mas agradecer e pedir paz para a população.
Questionado se ajudaria a prefeitura (em entrevista ao jornal A Tarde, publicada ontem, o prefeito João Henrique disse que, para governar, precisa do apoio do Governo do Estado), Wagner disse que vai ajudar com obras, não com repasse de dinheiro.
O prefeito João Henrique não participa da festa e é representado pelo vice, Edvaldo Brito.

Antes do início da celebração, o conhecido personagem da festa Bira do Jegue, protestou contra a proibição da participação dos animais no evento. "Acabaram com uma tradição de mais de 200 anos.
No passado, era o jegue que levava a água para lavar a Igreja. O jegue representa o trabalho", disse o homem, que foi sem o seu jegue, Zebra. Ontem, de acordo com decisão liminar do juiz Rui Eduardo Brito da 6ª Vara Pública do Tribunal de Justiça da Bahia, ficou proibida a circulação de animais no evento.
O motorista Jonas da Mata, 70 anos, participa da festa há vários anos pela devoção ao Senhor do Bonfim. Ele diz que respeita a decisão com relação à proibição dos jegues. "Acho que tem que se preservar e não maltratar os animais. Apesar de ser tradição, acho que a festa não perde a beleza por causa disso".
O vigário da paróquia da Conceição, Valson Santos Sandes, abriu o ato pedindo um minuto de silêncio para lembrar as pessoas que sofrem com as chuvas no Rio de Janeiro.
Centenas de devotos se aglomeram em frente ao templo e acompanham a cerimônia que conta com o coral da Basílica da Conceição da Praia, que entoa cânticos religiosos. Participaram do ato, representantes de várias religiões e todos pediram paz.
Como sempre acontece, baianas vestidas a caráter borrifaram alfazema nas pessoas. A auxiliar administrativa Dilma das Virgens, 55, disse que participa da festa desde a infância, por influência da mãe, que também sempre foi ao evento religioso. Ela olhou para o céu e rezou para chover no percurso. "Para mim, é melhor caminhar sem o sol forte".
* Com redação de Giovanna Castro, A Tarde On Line



