Fernando Vivas | Agência A TARDE
Festa teve a Orquestra Rumpilezz, Mariene de Castro, Beth Carvalho e Motumbá
A receita é simples e não custa caro. O mar, a contagem regressiva e os fogos. Se uma música animada compor o cenário, melhor ainda. A mistura de todos esses elementos estimula um sentimento transformador inabalável. Torna possível a crença na realização, durante os próximos 364 dias, de tudo que não foi alcançado no ano que termina. São 10 segundos mágicos que renovam, como no mar, e revitalizam a coragem de lutar por dias melhores. E assim foi no ‘Réveillon do Mar, do Samba, de Salvador’, no Farol da Barra, embalado pela Orquestra Rumpilezz, Mariene de Castro, Beth Carvalho e Motumbá.
A movimentação iniciou por volta das 19 horas. Na areia e na frente do palco as pessoas começavam a marcar território para garantir vista privilegiada dos fogos e do show na festa realizada pelos governos municipal e estadual. As atrações musicais que não atraíram um público mais "expansivo" criaram ambiente propício à presença da garotinha Natasha Rocha, com 10 meses de vida. Os pais Juleandro (soteropolitano) e Karen Rocha (paulista), 26 e 27 anos, só estavam com receio do barulho dos fogos, o que não incomodou a mais nova integrante da família.
Mais equipados, com salgados, doces e caixa térmica com bebidas a família do policial militar Jorge Luiz Garcia, 50 anos, também fincou acampamento em parte do disputado território na areia da praia do Farol. Escolhida a localização boa para ver o palco eles nem precisaram das mesas (R$60- com direito a negociação) ou algumas das 40 cadeiras (R$15-duas) alugadas pelo comerciante Joilson Barbosa Costa, 44 anos, há 20 trabalhando no local. Com dois carros estacionados nas proximidades do Cristo, o grupo formado por 11 pessoas trouxe tudo de casa. "Não esquecemos também o saco de lixo para não deixar a praia suja", destacou Jorge.
Até para quem não contou com a infraestrutura da família do policial militar, a Virada 2008/2009 saiu bem mais barata que as festas ocorridas pela cidade. O show foi gratuito. No mais, pagando R$ 15 pelo aluguel de duas cadeiras à beira mar, R$ 2 a R$ 3 por uma rosa (é sempre bom fazer parte do ritual) e qualquer quantia tirada do bolso para atrair bons fluídos (com pais e mães- de- santos que ofereciam limpeza espiritual com folhas, milho branco e alfazema. Pelas contas de Pai Gibô e Pai Gil de Oxossi, até às 22 horas, eles já tinham atendido pelo menos 500 pessoas) o réveillon está garantido. Sem contar a comida e a bebida que depende do quanto se tem para gastar. Nas festas particulares o custo não saiu por menos de R$60. "As pessoas podem ficar aqui a noite inteira e emendar pelo dia", disse ele enquanto arrumava o pedaço de areia que iria descansar após a festa. Com sol de hoje ele teve que recarregar a bateria ali mesmo até a chegada do primeiro cliente do dia.
A proximidade da chegada no novo ano foi anunciada às 23h56 quando Mariene de Castro rodopiava com as baianas da Associação das Baianas de Acarajé ao som do melhor samba-de-roda. Alexandre Guedes (Motumbá) entrou no palco e juntos, sem a presença da sambista Beth Carvalho que ainda se preparava no camarim e não atendeu ao chamado de Mariene, comemoravam o início de 2009. As balsas instaladas entre o Farol da Barra e o Cristo fizeram o público tirar os olhos do palco e gritar a cada explosão mais forte. De repente, a multidão parecia uma grande roda de amigos. Todos se abraçavam e ratificavam a esperança na mudança. E que ela seja boa.
Acompanhada pelo público o tempo inteiro, Beth Carvalho, entoou canções que marcaram sua carreira, além do repertório do recente DVD gravado com sambas de compositores baianos. Ao ser convocada novamente, Mariene sobe ao palco e divide ‘Ilha de Maré’ (Walmir Lima e Lupa). Por volta das 2h20 clima, ao invés de retratar fim de festa, esquenta com os clarins e atabaques do Motumbá que começou o show saudando Oxossi, o dono do dia.
Fonte: Meire Oliveira, do A TARDE




