NATAL SEM A FILHA
Ana Carolina e um retrato seu com Isabella. Para superar a dor, a mãe faz terapia e recorre à fé
LUTO "Todo momento é difícil"
A família e a religião ajudam Ana Carolina a suportar a dor pela perda de Isabella
"Já se foram quase nove meses e a cada dia é mais difícil acreditar, e entender, o que aconteceu. Todos os momentos são difíceis, desde o amanhecer até o anoitecer. Nossas rotinas foram quebradas. Estarei em casa, com minha família, mas será um ano diferente. Eu sempre gostei de Natal e passava todos esses momentos com a minha filha. Montávamos a árvore, escrevíamos a cartinha do Papai Noel. Tentava mostrar para a Isabella o verdadeiro espírito do Natal, nada material, e sim a história do menino Jesus. É triste demais saber que mais um dia vai passar e ela nunca mais vai voltar."
EXPECTATIVA
Luiz Alberto Vasconcellos, o Lulinha. Ele descobriu ter hepatite C em 1992 e luta contra a doença
"Meu médico é Deus"
Na fila do transplante de fígado, Luiz Alberto jamais perdeu a vontade de lutar pela vida
"Quem tem hepatite C vai vivendo e sabe que, um dia, vai precisar fazer um transplante. Quem não consegue matar o vírus morre. Só neste ano, fui internado oito vezes por causa de infecções no pulmão e no abdome. Já me acostumei a sofrer. Mas fico na expectativa do transplante. Às vezes, fico pensando se esse é o meu carma. Se sou um predestinado. Mas uma batalha eu já ganhei: estou vivo. Confio muito no meu médico. Sabe o apelido que eu dei a ele? Deus. Ele vai me salvar."
EM FAMÍLIA
Ludwig, com a mulher, Carla, e os filhos, Talita, Franciele e Gabriel. A fé o ajudou a superar a tragédia
UNIÃO
"Deus nos quer solidários"
O professor Francis Ludwig fez de uma escola um abrigo que uniu os flagelados de SC
"Chovia demais em 23 de novembro. Acolhi mais de 25 pessoas na minha casa, num dos bairros mais atingidos de Blumenau, a 50 metros do Colégio Shalom, onde trabalho. O barranco atrás da casa cedeu e derrubou o muro. Passei a coordenar um abrigo no colégio. Procurei motivar as pessoas, apresentar uma vida que é possível. Isso aconteceu porque Deus queria nos mostrar que devemos ser solidários e humildes. Se a gente não tiver sonhos, não pensar no futuro, a tendência é desanimar. O Natal é um período de reflexão. Temos de traçar metas e correr atrás. Muitas pessoas saíram do abrigo fortalecidas."

A VIDA SEGUE
O ex-caminhoneiro Paciani em processo de reabilitação. Ele diz que não fica remoendo o passado e que prefere olhar para o futuro
RESILIÊNCIA "A fé me ajudou"
Vítima de um acidente, o ex-caminhoneiro Luiz Paciani segue otimista
"Perdi muito sangue. Para me tirar dali, foram uns 40 minutos. Mas sabe que não fiquei desesperado? Pelo jeito que ficou o caminhão, tive muita sorte nesse acidente. Não sei de onde tiro forças. Minha família é muito boa. Muito unida. Não imaginei que eu fosse reagir bem depois do acidente. Estou abismado comigo mesmo. Penso em seguir a vida. Colocar a prótese. Voltar a dirigir. Comprar um carro adaptado. Tenho planos. Este é o primeiro Natal depois do acidente, A comemoração vai ser legal. Eu sempre fazia uma farra. Vou inventar alguma coisa."
Fonte e crédito: Celso Masson, Maria Laura Neves e Solange Azevedo






