Representante da Defesa Civil Nacional diz que Alagoas é exemplo de superação
Segundo a assistente social Daniela Lopes, trabalhos de salvamento e reconstrução são elogiáveis
Wellington Santos
Daniela Lopes visitou cidades devastadas pelas enchentes e destacou trabalhos de reconstrução realizados pelo governo de Alagoas
"Em sete anos como funcionária de Defesa Civil Nacional no ministério, nunca vi uma tragédia desse porte como a que tenho presenciado em Alagoas. Ao mesmo tempo, quero registrar que, apesar da dimensão macro dessa catástrofe, o trabalho montado pela estrutura do governo do Estado na compactação das secretarias e da Defesa Civil voltado ao trabalho de salvação e agora de reconstrução das cidades e das famílias, tem sido elogiável para amenizar um desastre desta dimensão", disse assistente social Daniela Lopes.
Ela é diretora do Departamento de Minimização de Desastres do Ministério da Integração Nacional, e fez a afirmação durante encontro com representantes das prefeituras das cidades atingidas, nesta terla-feira(6), a Defesa Civil e o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinubing. O prefeito veio a Alagoas trazer sua experiência de tragédia semelhante na cidade catarinense que administra ocorrida em 2008.
Segundo relato de Daniela Lopes, que viu in loco as cidades mais devastadas pela enchentes iniciadas no dia 18 de junho, o primeiro passo já foi dado no que tange a questão do salvamento das pessoas.
"A segunda etapa consiste agora na recuperação da dignidade dessas pessoas atingidas, do apoio, da oferta de esperança para recomeçar tudo. Enfim, é hora de se preocupar com a cidadania delas, a busca da identidade de cada um enquanto ser humano ", completou Daniela.
Ainda de acordo com a representante do Ministério da Integração Nacional, a missão agora é a preocupação com aspectos do cotidiano, como a higiene pessoal e da intimidade das pessoas. "Por isso, estamos envidando esforços para acelerar junto com os órgãos federais o maior número de abrigos possíveis para começar a oferecer essa individualidade", completou.
"Estou absolutamente impressionada que o trabalho em conjunto das secretarias do Governo e da Defesa Civil estadual, em parceria com os órgãos externos ao Estado de Alagoas, como Exército, Marinha, Aeronáutica, e todos os voluntários envolvidos, tenha sido feito de maneira tão articulada. Alagoas está de parabéns pelo exemplo ao Brasil, mesmo diante desta tragédia quase sem limites", reforçou.
Prefeito relata experiência de Blumenau com tragédia semelhante
Na ocasião, a secretária de Estado da Assistência Social, Solange Jurema, fez um relato suscinto de algumas ações no trabalho conjunto das secretarias e da Defesa Civil. "Os primeiros dias foram dedicados a ajudar as pessoas, agora é hora de reconstruir nosso Estado", ressaltou a secretária.
Jurema elencou uma série de procedimentos que as pessoas atingidas e as prefeituras terão que adotar para a segunda fase de superação da tragédia que afetou 28 cidades alagoanas, das quais 15 em Estado de Calamidade Pública.
"Teremos nesta fase a parceria da Caixa Econômica, além da declaração das prefeituras sobre as pessoas que tinham os benefícios como o Bolsa-Família e de quem agora irá precisar deste auxílio, especificamente com o relatório sobre os desabrigados e desalojados em cada cidade", pontuou a secretária.
Já o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinubing, relatou sua experiência na tragédia vivida em novembro de 2008, que afetou cerca de 50 mil pessoas na cidade catarinense. "Na época, éramos a maior tragédia do país, depois passou a ser no Rio de Janeiro, mas sem dúvida a de Alagoas e Pernambuco superaram essas duas", avaliou Kleinubing.
"Pela nossa experiência, essa reconstrução vai durar pelo menos dois anos, porque será preciso a disponibilização de terrenos para o início de construção de novas casas para atender essas pessoas", relatou Kleinubing, ao acrescentar.
"Será uma ação de longo prazo que terá que ser coordenada pelo governo do Estado, no sentido de evitar que as pessoas voltem para as áreas de risco, é um desafio", ressaltou o prefeito.
"Em Blumenau, depois de quase dois anos, só agora estamos conseguindo entregar 2.100 casas para as pessoas que perderam suas residências com o desmoronamento de morros e da enchente do rio Itajaí", completou o prefeito




