Polícia da Bahia apresenta os assassinos confessos do delegado Clayton Leão
Crédito: AGECOM


Foram apresentados, na manhãde hoje, em coletiva à imprensa, na Secretaria da Segurança Pública (Centro Administrativo da Bahia), os três assassinos confessos do delegado da 18ª Delegacia de Camaçari, Clayton Leão Chaves.
Edson Cordeiro, mais conhecido como "Inha", e Rinaldo Valença de Lima, já haviam sido presos na quarta-feira (26), mesmo dia do crime. O terceiro assassino, Magno de Menezes dos Santos, entregou-se nesta quinta, com duas armas que serão periciadas. O caso foi elucidado em menos de 24 horas.
A polícia aguarda os resultados das perícias realizadas no carro, pois o material será utilizado no inquérito presidido pelo diretor do Departamento de Narcóticos, Cleandro Pimenta, que foi nomeado para comandar as investigações. Um revólver calibre 38 que também foi apreendido com os bandidos vai passar por perícia, para confirmar se foi usada no crime.
O delegado Clayton Leão foi assassinado na Estrada da Cascalheira, na manhã de quarta-feira (26), quando dava entrevista a uma rádio local.
Polícia descarta execução na morte do delegado em Camaçari
Alana Fraga | A TARDE e Carolina Mendonça | A TARDE On Line*
Elói Corrêa | Agência A Tarde
Delegado Clayton Leão foi morto em uma suposta tentativa de assalto
A polícia considera concluído o caso da morte do delegado Clayton Leão e descarta a hipótese de atentado. As informações foram passadas durante entrevista coletiva concedida à imprensa na manhã desta quinta-feira, 27, pelo delegado-chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo, e o secretário de segurança pública, César Nunes.
No entanto, familiares do policial – morto em Camaçari, na manhã desta quarta-feira, 26 – põem em dúvida a versão da polícia. "Meu primeiro sentimento é que foi execução", disse o tio de Clayton, João Chaves, durante o enterro do sobrinho, ressaltando que a única testemunha do crime, a mulher do delegado, ainda não depôs.
Joselito Bispo e César Nunes disseram que ouviram a mulher do delegado informalmente e que ela teria reforçado a versão de tentativa de assalto seguida de morte. A polícia disse que os três criminosos pretendiam roubar o carro do delegado e chegaram gritando "bora, bora, bora".
De acordo com a versão da polícia, o delegado reagiu falando "peraí, peraí, peraí" e teria esboçado intenção de pegar a arma. Os criminosos alegaram que viram a arma e atiraram assustados, de acordo com a polícia.
"Estamos buscando todos os elementos e provas tanto testemunhais quanto periciais para descrever a ação criminosa", disse o delegado-chefe, Joselito Bispo. Bispo afirmou ainda que o crime foi uma fatalidade. "O colega teve a infelicidade de parar em um lugar em que jamais deveria ter parado. Não estava ali um policial, estava um cidadão. Precisamos trabalhar muito e ter consciência que segurança pública não é mais viatura, não é mais polícia. É um conjunto que tem que ser trabalhado como um todo".
Já para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindipoc), Carlos Lima, Leão teria sido executado pelos trabalhos que vinha fazendo de repressão do tráfico na região. "Com a experiência que eu tenho de 32 anos de serviço, não acredito que tenha sido um assalto. Para mim, foi um crime de mando. Ninguém levou nada e a esposa ficou lá, gritando", avaliou Lima, enfatizando que o sindicato está "trabalhando para ajudar nas investigações".
Corpo do delegado Clayton Leão foi enterrado com a presença de colegas, amigos e familiares
Prisões – O terceiro envolvido no crime, Magno de Menezes dos Santos, se entregou à polícia na manhã desta quinta. Ele disse que estava dentro do carro dos criminosos. Os outros envolvidos são Edson Cordeiro e Reinaldo Valença, que foram presos nesta quarta. A operação de investigação e prisão dos acusados envolveu mais de 200 policiais, de acordo com Cleandro Pimenta, diretor do Departamento de Narcóticos (Dnarc), que presidiu as investigações.
Funeral – O corpo do delegado foi enterrado nesta quinta no Cemitério Campo Santo, na Federação, ao som da música "Amigos para sempre" tocada em um violino, e do protesto por justiça feito por familiares e colegas do policial.
O movimento no cemitério deixou o tráfego congestionado no entorno devido ao grande fluxo de veículos que seguia para o enterro. Agentes da Transalvador e da Polícia Militar foram acionados para organizar o trânsito. "A família está surpresa com a repercussão (da morte de Leão). Isso mostra o quanto ele era querido", disse o tio do delegado, João Chaves.
Por volta das 10h, o corpo do delegado foi retirado da capela, onde ocorreu uma missa, e levado para o sepultamento, em meio a lágrimas de colegas fardados e autoridades. Policiais da Coordenadoria de Operações Especiais (COE), da qual o delegado já integrou, carregaram o caixão do delegado, que estava com o corpo coberto com fotografias de momentos com a família. Parentes amparavam e tentavam consolar a esposa do delegado, que deixa dois filhos – de 5 e um ano de idade. "Eles ficaram chamando pelo pai ontem a noite toda", contou o tio de Leão.
No momento em que o caixão era sepultado, companheiros de trabalho expunham a revolta pela perda. "Não vai ficar de graça", "Olho por olho, dente por dente", "Quando acabar a greve (dos policiais civis), vamos cair em cima dos delinquentes. Vamos mostrar que aqui tem polícia séria e honesta", gritavam os colegas inconsolados.
O governador Jaques Wagner fez uma rápida passagem no velório para prestar as condolências à família de Leão bem cedo e foi embora logo. Outras autoridades também comparecerem para prestar as últimas homenagens ao delegado. "Toda a família da polícia está amargurada pela perda de um herói. Este é um momento de reflexão em que a sociedade deve repensar o seu conceito de polícia, para que cuide melhor da sua polícia", disse o titular da 5ª CP (Periperi), Deraldo Damasceno. O delegado-chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo, e o secretário de Segurança Pública, César Nunes, também compareceram.
Como o crime aconteceu – Clayton foi baleado duas vezes na cabeça enquanto concedia entrevista à emissora Líder FM, de Camaçari. Por meio da rádio, foi possível ouvir os disparos dos tiros e o desespero da mulher do delegado, que estava com ele no carro.
Momentos antes do crime, Clayton parou o veículo na estrada da Cascalheiras, em Camaçari, para conceder a entrevista, já que não conseguiria ir ao estúdio da emissora. Ele falava sobre segurança na cidade e dizia que já sentia confiança em residir no município.
A notícia do assassinato fez dezenas de policiais e delegados irem para o local do crime para ajudar nas investigações. A polícia localizou os dois acusados pelo assassinato depois de encontrar o suposto carro utilizado na tentativa de assalto seguida de roubo.
*Com redação de Paula Pitta | A TARDE On Line



