Conselho Tutelar recebe denúncia sobre maus tratos contra criança
Menino de 11 anos, deficiente mental, passa todo o dia no quintal da casa enquanto pai trabalha e o irmão estuda
O Conselho Tutelar da 7ª Região recebeu uma denúncia, na tarde desta segunda-feira (24), de que uma criança estaria acorrentada no quintal de uma residência situada na Rua Boa Esperança, no bairro de Santos Dumont, em Maceió. Com o apoio de policiais do 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o conselheiro Emanuel Monteiro se dirigiu à residência para constatar o fato e encontrou uma cena triste: uma criança, de 11 anos, identificada como J.E.A.S., que é deficiente mental, abandonada no quintal da casa. O garoto apresentava hematomas no corpo e na cabeça.
De acordo com o irmão da criança, de 16 anos, que também tem as iniciais J.E.A.S., o pai, identificado como José Cícero Caetano, 44 anos, passa o dia todo trabalhando na Usina Cachoeira do Mirim como operador de máquinas agrícolas, enquanto ele só pode tomar conta do irmão no período da manhã, já que estuda todas as tardes.
"Nós achamos mais seguro deixá-lo no quintal, porque temos medo que ele se machuque dentro de casa com objetos cortantes ou até mesmo com os móveis. Faça chuva ou faça sol, ele fica do lado de fora. Infelizmente, não temos condições de tomar conta dele o tempo todo, pois eu tenho que batalhar pelo meu futuro e estudar", afirma o irmão.
Ainda segundo o irmão, a mãe deles teve depressão pós-parto logo que deu à luz ao irmão mais novo, e deixou a família. Os três, pai e filhos, vivem na residência em Santos Dumont há apenas 10 dias. Antes disso, eles viviam no município de Rio Largo, e, de acordo com J.E.A.S., o pai já havia procurado o conselho tutelar de lá para tentar conseguir a aposentadoria do irmão especial.
"O que nós fazemos com ele não é maldade, é só pela falta de condições financeiras para dar uma condição de vida melhor pra ele. Eu gostaria muito que o Conselho Tutelar pudesse ajudar e conseguisse encontrar alguma instituição de repouso onde ele pudesse ficar, porque seria melhor pra ele e mais tranquilo pra nós", disse o irmão mais velho.
Sobre os hematomas espalhados pelo corpo do irmão mais novo, J.E.A.S. afirma que isso acontece porque o irmão bate a cabeça repetidas vezes contra a parede.
Segundo o conselheiro tutelar Emanuel Monteiro, existe uma negligência por parte do pai da criança, que se agrava ainda mais pelo fato de ela ser especial. "Esse período que a criança passa sozinha já é caracterizado como abandono de incapaz. Vamos notificar o pai da criança para que ele vá ao Conselho Tutelar amanhã para que as medidas devidas sejam tomadas. Caso ele não compareça, nós voltaremos aqui com a polícia para indiciá-lo", declarou o conselheiro acrescentando que a situação do irmão mais velho da criança também é critica. "Percebemos que ele está muito assustado e que também precisa de ajuda psicológica. Precisamos fazer algo por esta família" – completou.
De acordo com a vizinha da família, Cássia Rodrigues, de 45 anos, ninguém o viu acorrentado, mas afirma que a criança passa o dia todo no quintal. "Ele é tratado como se fosse um cachorro, vestindo apenas cuecas. Ele faz as necessidades na roupa mesmo, e do jeito que está ele fica o resto do dia. Ontem nós o presenciamos comendo as próprias fezes", relatou a dona de casa.
Fonte: gazetaweb.com




