Familia de menino sequestrado comemora fim do "pesadelo"
Cicero Fotografo – Tribuna União
A notícia de que um menino de dez anos estava sob a tutela do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Estado do Rio de Janeiro e procurava seus parentes causou euforia na família do pedreiro José Heleno Guedes da Silva e sua família que residem em uma pequena casa de vila na Rua Orlando Gomes de Barros, no Bairro Roberto Correia de Araújo em União dos Palmares.
A confirmação que o garoto que ajudava o seu pai vendendo tapioca na cidade era Sergio Souza Santos trouxe a maior alegria que esta família já passou desde o desaparecimento do menino em 2008 após ele ter sido supostamente raptado por um andarilho em 2008, a pouco mais de 100 metros da residência da família.
Após a confirmação que o menino era Sérgio, um contato telefônico entre os conselhos RJ/União e uma rápida troca de informações foi o bastante para que o Delegado Regional Cícero Lima e o chefe de expediente da Delegacia Regional de União Ildefonso Nascimento efetuassem buscas em União e localizassem o pedreiro (que faz bicos) José Heleno Guedes da Silva e sua família
A família de Sergio é composta de 10 pessoas, a partir da bisavó materna do menino com 97 anos de idade cujo nome é Helena, a mãe do garoto senhora Eliane dos Santos da Silva, e dos irmãos de Sergio que são Edilza 19 anos, Andriel 15, Daniela 11, João Heleno de 5, Maria Vitória de 3, John Lennon de 8 e finalmente Sergio que agora completa 10 anos.
Todos moram de favor em uma modesta casa conhecida como "Vila da Creche" com três cômodos, sendo duas salas), uma pequena sala de estar, sanitário e cozinha. O pai trabalha como pedreiro ou vendendo tapioca, que são feitas pó sua mulher, Dona Eliane. A filha mais velha do casal, Edilza trabalha na vizinhança como faxineira. Todos os filhos do casal estão na escola.
De acordo com o Delegado Cícero Lima o menino foi raptado em 2008 por um andarilho identificado como Edmar, cujo nome verdadeiro é Luiz Henrique Maciel, preso por dirigir embriagado em companhia de duas crianças guiando um carro.
Sergio inicialmente disse as assistentes sociais cariocas que Luiz Henrique seria seu pai e que não lembrava o nome da mãe. Depois, o menino confessou que o nome da mãe era Eliane Souza da Silva e seu pai era um homem identificado como Zé Lino e Silva. Contou que seus irmãos seriam "Andrei, Davi, Varisto e Vitória, além do nome da bisavó materna que seria "Mãe Carmem", enquanto seu avô teria morrido de doença da cabeça".
Afirmou ainda que tinha lembranças de onde vivia antes de ser seqüestrado, contando que morava em uma cidade depois de Maceió, que não tem praia, mas que teria um rio com pedras, e que morava perto do acampamento dos sem-terra, onde também tem uma "usina de cachaça" e que haveria saído em o seqüestrador de perto de uma praça onde tinha motoqueiros. Sobre seus pais, Sergio disse que nunca havia sido agredido, e que todos em casa ajudavam o pai a vender tapioca ma "Feira do Rato" e que também catavam latinhas e ferro-velho para vender em um deposito próximo de sua casa.
Ao termino do relato, o garoto detalhou que estava na praça quando Luiz Henrique disse ser conhecedor da pobreza da família e chamou-o para se deslocar até Maceió onde os dois apanhariam uma cesta básica para ajudar seus pais, não mais retornando e viajando constantemente, além de haver recebido orientações para chamar o raptor de pai, que entre outras coisas o obrigava a trabalhar sob a ameaça de castigos físicos.
O traslado do menor para União dos Palmares deve ocorrer nos próximos dias.



