Políticos apostam na religião para conquistar eleitores em Alagoas :Candidatos se apresentam como representantes de evangélicos e católicos

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  • 21 de janeiro de 2010
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A participação de candidatos que representam religiões na disputa eleitoral se tornou uma prática comum no Brasil. O interesse evangélico na política foi reforçada em 2005, quando o Bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus conseguiu autorização para fundar o Partido Municipalista Renovador (PMR). Em 2006 o partido passou a se chamar Partido Republicano Brasileiro (PRB). Já o catolicismo tem se mostrado de forma mais discreta.

A televisão e mais recentemente a internet, passaram a ser ferramentas muito utilizadas para disseminar as idéias religiosas e permitem que os eleitores "conheçam" seus possíveis representantes, que através de programas televisivos realizam milagres e prometem solucionar problemas financeiros, sentimentais e espirituais dos telespectadores.

Porém, de acordo com alguns segmentos da sociedade civil, a representação religiosa no Congresso Nacional também tem contribuído para que projetos de Lei não saiam do papel, a exemplo do PLC 122/06, que caracteriza a homofobia como crime, visto o que acontece em casos de preconceito racial e foi aprovado na Câmara dos Deputados. Mas, a maioria dos políticos que atua como pastores e bispos se mostram contrários à causa.

Em Alagoas nomes como o do vereador por Maceió, João Luis (DEM), que é pastor da Igreja Quadrangular e ainda, o deputado federal Givaldo Carimbão (PSB), representante católico, o deputado estadual Jota Cavalcante (PDT) e Antônio Carlos Ramos, mais conhecido como Chamariz e também representante do Estado na Câmara Federal representam a comunidade evangélica. Todos têm a perspectiva de conquistar o voto dos eleitores em 2010 baseados na religião.

O cientista político Eduardo Magalhães explicou que apesar de inicialmente ter existido uma separação entre Estado e a igreja, mas ambas se aliaram após a Revolução Francesa e Americana e passou a fazer parte da cultura do homem levar em consideração a existência de uma força superior para decidir pelos seus representantes.

"É difícil termos um estado laico e como o Brasil, por excelência é marcado pela pobreza as pessoas vêm na religião uma esperança. Com isso, as igrejas passaram a fazer um trabalho forte e entraram na ideologia política. Esse é um processo natural, mas deveria ter como objetivo defender o direito dos cidadãos",afirmou o cientista político.

De acordo com Magalhães, é necessário que não haja fanatismo na disputa política por parte de candidatos e até eleitores em relação a religião, para que não se crie uma segunda inquisição, como aconteceu na Idade Média e onde quem se mostava contrário a determinada crença, era punido de forma rigorosa. Ele lembrou que por Alagoas ser um Estado pobre, a religião assume um papel significativo e até decisivo.

"As igrejas não devem se transformar em grupos de pressão para que os fiéis votem em determinados candidatos. Aqui há pessoas como o pastor João Luis, que há anos não se afasta da política. Acredito que a força religiosa ainda sejam maior na capital, devido a presença dos caciques políticos no interior. Mesmo assim, a religião já é marcante lá", destacou Magalhães.

Para ele, mesmo com a participação massiva de candidatos evangélicos na disputa eleitoral, o catolicismo não tem precisado fazer proselitismo, por ser uma religião tradicional. "A maioria da população ainda se identifica com a religião católica, porque o evangélico precisa assumir um compromisso maior com a igreja e bíblia",

"A televisão é uma arma poderosa, mais utilizada pelas igrejas evangélicas para conquistar fiéis e eleitores. O ruim disso é quando os candidatos, após eleitos se afastam dos problemas da população e esquecem das soluções, sejam elas filosóficas, religiosas ou partidárias. Não deve haver extremismos e excessos ao combinar política e religião, pois não existe espaço para isso no mundo moderno", lembrou. 

Fonte: www.cadaminuto.com.br