Oficial de justiça de Delmiro é classificado em concurso nacional

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  • 14 de janeiro de 2010
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"Nordeste é minha identidade", afirma poeta finalista

Aluciano Martins retrata em "Sertanejamente" um pouco da vida no Sertão

Pernambucano, pai de três filhos, torcedor do Santa Cruz do Recife e fã de Luiz Gonzaga. Esse é o perfil do poeta Aluciano Martins, oficial de Justiça do Juizado Especial Cível e Criminal de Delmiro Gouveia e um dos doze poetas classificados para a final do Concurso Nacional Literário Poesia em Cena, promovido pela Assessoria Cultural da Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal).

O autor concorrerá com "Sertanejamente", um dos três poemas alagoanos classificados para a final, que acontecerá no próximo dia 21. Nele, o poeta faz um retrato da dura vida no Sertão nordestino, repleta de sentimentos antagônicos como a alegria e o sofrimento. A interpretação ficará por conta do ator baiano Ivan Rodrigues.

Aluciano, mora em Paulo Afonso – BA e é formado em pedagogia pela Universidade Estadual da Bahia (Uneb), diz ter começado a escrever poesia quando ainda era adolescente. "A poesia sempre foi meu refúgio e ponto de encontro com minhas raízes. Participar do Poesia em Cena tem sido uma grande alegria, porque através dos meus poemas posso expressar sentimentos de revolta e conformismo que permeiam o cotidiano do sertanejo", revelou.

     Sobre a iniciativa

O poeta aproveitou para falar da importância da iniciativa da presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), desembargadora Elisabeth Carvalho Nascimento, que tem dado uma atenção especial à cultura. "Desejo que iniciativas com o Poesia em Cena e o Cine Esmal sejam projetos contínuos. Não podemos esquecer que a cultura é primordial na formação do ser humano", declarou.

     Confira na íntegra o poema "Sertanejamente"

     SERTANEJAMENTE

Autor: José Aluciano Martins de Souza (Delmiro Gouveia/AL)

Intérprete: Ivan Rodrigues

(Paulo Afonso/BA)

     

     Fito a paisagem grafite

     E a aridez desse chão

     Dessa terra em preto e branco

     De valentia e encanto

     Que aqui chamamos de Sertão

     

     Na flora mandacarus

     Xiquexiques e quipás

     Na fauna os rastejantes

     Calangos e emigrantes

     Raposas e carcarás

     

     Casebre de pau-a-pique

     A cadela, a procissão

     A enxada e o jumento

     Labutam no meu quinhão

     

     No crepúsculo da jornada

     Lavo o rosto na bacia

     Pensamentos esquisitos

     Me chegam no fim do dia

     

     No fogão de lenha, às vezes

     Tem preá com rubacão

     No pote a água salobra

     Da cacimba no oitão

     

     Estrelas vazam o breu

     Como se o perfumasse

     Sinto lágrimas teimosas

     Nas rugas da minha face

     

     Perco o sonho olhando a serra

     Vejo a noite que se enterra

     E o "Astro Maior" surgir

     Nosso sol arde brilhante

     E encandeia o governante

     Que muda a vista daqui

     

     E cercado de beleza

     Delírio e desilusão

     Socializo a utopia

     Que no meu peito alumia

     Um viver sem gratidão.

Fonte: TJAL