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Latinos voltam a favorecer os democratas nas eleições de meio mandato e revertem avanço de Trump; aponta The New York Times

  • 4 de novembro de 2026
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Eleitores latinos nos Estados Unidos migraram para os democratas nas eleições legislativas de meio de mandato (midterms) realizadas na última terça-feira (3). Dois anos antes, nas eleições presidenciais de 2024, o mesmo grupo havia dado um apoio histórico aos republicanos, em particular ao presidente Donald Trump.

Os adultos de 18 a 29 anos foram os que mais migraram os votos, com alta de 32 pontos percentuais em relação a 2024, segundo projeções do The New York Times. No mesmo ano, Trump reverteu a tendência de voto latino democrata e obteve o maior apoio entre esse grupo em quase 50 anos.

A pesquisa aponta ainda que os democratas obtiveram 69% dos votos latinos para a Câmara dos Deputados, 28 pontos percentuais a mais que há dois anos. Em geral, todos os grupos raciais do país ampliaram o apoio ao partido, mas nenhum com a mesma intensidade dos latinos.

Apoio aos democratas refletiu nas urnas

Até o presente momento, as apurações das urnas indicam uma mudança em estados de destaque nas eleições:

  • Texas: segundo estado com maior população latina, atrás da Califórnia, teve 70% dos latinos votando nos democratas para o Senado, alta de 42 pontos. O estado elegeu James Talarico, que apesar de não ter origem latina, é próximo da comunidade e fala espanhol. Ele é o primeiro democrata eleito pelo Texas para o Senado desde 1988.
  • Kansas: os democratas receberam 75% dos votos latinos para o Senado, alta de 40 pontos. Com a eleição do pastor Adam Hamilton, é a primeira vez desde 1932 que um democrata ocupa uma vaga na Casa.
  • Flórida: terceiro estado com maior população latina, principalmente de cubanos. Apesar da candidata republicana Ashley Moody ter sido eleita para o Senado, 53% dos latinos votaram nos democratas, uma alta de 20 pontos.

O eleitorado latino

Ao todo, 16% do eleitorado americano é latino. No entanto, como o voto é facultativo, nem todos compareceram às urnas.  Neste ano, 4 milhões de novos eleitores latinos se tornaram aptos a votar por completarem 18 anos. A estimativa em números, de acordo com o Pew Research Center, é que 39 milhões de latinos estejam com a situação eleitoral regularizada. Desses, cerca de 25% são imigrantes de países latinos naturalizados americanos; os outros 75% nasceram nos EUA.

Os motivos apontados pelo grupo para a mudança variam conforme a pesquisa. Na véspera da eleição, o Pew Research Center registrou a economia como principal razão para o menor apoio aos republicanos. Já um levantamento da Atlas Intel mostrou que as ações do governo na área de imigração foram a maior preocupação do grupo.

Brasileiros não fazem parte da categoria

Brasileiros não entram na categoria de latinos nos Estados Unidos. Embora o Brasil faça parte da América Latina, o censo americano considera apenas as pessoas cuja língua materna é o espanhol. Por esse critério, até espanhóis são incluídos no grupo, também chamado de hispânicos, termo usado como sinônimo no país.