Uma mensagem atribuída ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro mostra que ele discutiu a forma de envio aos Estados Unidos de recursos destinados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. No diálogo, obtido pela Polícia Federal e citado em documento da Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo afirma que seria mais simples utilizar recursos que já estivessem no exterior.
“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, diz o trecho.
Na conversa, o ex-parlamentar também sugere o envio do maior valor possível pelo mecanismo que vinha sendo utilizado e pede informações sobre uma reunião que ocorreria naquele dia. Eduardo ainda coloca Altieris Santana à disposição para participar de encontros presenciais sobre a operação.
A mensagem foi incluída nas apurações da PF sobre a movimentação internacional de recursos destinados à produção do filme. O documento da PGR não esclarece quem era o destinatário direto da conversa.
Recursos nos Estados Unidos
Santana é identificado na investigação como diretor do Havengate Development Fund, fundo de investimento sediado no Texas que aparece na estrutura utilizada para administrar os recursos e repassá-los à produtora Go Up Entertainment.
A investigação busca esclarecer a origem dos valores, a forma como foram enviados para os Estados Unidos e a destinação final do dinheiro. A PF também apura o papel desempenhado por empresas utilizadas como intermediárias nas transferências.
Em uma representação encaminhada ao STF, os investigadores destacaram que o volume de recursos previsto para a produção estava acima dos parâmetros observados no mercado audiovisual brasileiro. Para a corporação, a dimensão dos valores reforça a necessidade de verificar a viabilidade econômica do projeto e a finalidade dos aportes.
Investigação no STF
O parecer da PGR, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, deu aval à abertura de investigação no Supremo para apurar a movimentação financeira relacionada ao filme.
A apuração também considera informações prestadas pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, que firmou acordo de colaboração premiada com a PGR. Segundo os investigadores, a empresa ligada a ele realizou transferências internacionais que somaram US$ 12,3 milhões em 2025.
A PF ainda pretende esclarecer a origem dos recursos, a utilização da Entre Investimentos como intermediária, a atuação do Havengate Development Fund e quem foram os beneficiários finais das remessas.





