Política

mundo

Dark Horse: rastro de emendas leva PF a transferência de R$ 750 mil para filme de Bolsonaro

  • 10 de setembro de 2026
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

A Polícia Federal identificou uma sequência de movimentações financeiras que, segundo os investigadores, pode ter conectado recursos de emendas parlamentares à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

O principal ponto analisado é uma transferência de R$ 750 mil feita pela NTT Brasil, empresa ligada a Heric Dias, para a Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama. A produtora é responsável pelo longa e Karina também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que recebeu R$ 2 milhões em emendas destinadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP).

A PF relacionou o repasse da NTT Brasil a aproximadamente R$ 700 mil recebidos pela Dinâmica Editora e pelo Instituto Super Poder Educacional, empresas do mesmo grupo empresarial. Os valores chegaram a essas empresas por meio do ICB, que recebeu os recursos de emendas parlamentares.

Para os investigadores, há indícios de que o dinheiro destinado originalmente a contratos executados pelo ICB possa ter sido transferido por meio de contratações consideradas suspeitas. Na sequência, parte dos recursos teria chegado à Go Up Entertainment por meio do pagamento feito pela NTT Brasil.

Movimentação da produtora

A análise financeira também levou a PF a examinar o período em que a Go Up Entertainment recebeu os recursos. A empresa movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.

As datas coincidem parcialmente com as gravações de “Dark Horse”, realizadas em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro daquele ano. No relatório, os investigadores destacam despesas feitas pela produtora durante o período, incluindo hospedagem em hotel de alto padrão, refeições e pagamentos a outras empresas do setor.

“Nesse sentido, segundo fontes abertas, o filme foi gravado justamente em São Paulo, entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras”, afirma a PF.

Outro movimento sob análise é um repasse de R$ 645,4 mil feito diretamente por Mario Frias à Go Up Entertainment. A PF questiona a origem dos recursos utilizados pelo deputado, considerando que os rendimentos mensais atribuídos a ele são de R$ 44.008,52.

“Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias”.

O conjunto das movimentações integra o relatório produzido pela PF e usado como base para a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10).

Além de Frias e Karina Gama, a investigação alcança outras pessoas e organizações relacionadas ao fluxo de recursos. A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.