A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (23), a Operação Miragem para desarticular um esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo a gestão do Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, autorizados pela Justiça Federal. Edir Macedo é um dos investigados por ser proprietário do banco.
Além das buscas, a decisão judicial determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o bloqueio de bens e valores de até R$ 670,3 milhões.
Segundo a PF, relatórios do Banco Central apontaram irregularidades graves na condução dos negócios da instituição. As investigações indicam que administradores do banco teriam manipulado balanços e resultados contábeis para esconder a real situação financeira da empresa e transmitir uma aparência de solvência aos órgãos de controle.
De acordo com a corporação, o esquema teria permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas que somam centenas de milhões de reais. Os investigadores também apuram operações financeiras supostamente ilegais em benefício da empresa controladora do banco, além da possível falsificação de dados inseridos em sistemas oficiais do órgão regulador.
Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, previstos na Lei nº 7.492/1986.
O que é o Banco Digimais
Fundado em 1981, em Porto Alegre, como Banco Renner, a instituição passou por mudanças societárias e adotou o nome Digimais em 2020, quando foi reestruturada para operar como banco digital. Naquele ano, Edir Macedo adquiriu a totalidade das ações do banco, do qual já era acionista minoritário desde 2009.
Em janeiro de 2025, Macedo chegou a transferir o controle da instituição para o empresário Maurício Quadrado. O grupo liderado por ele, posteriormente rebatizado de BlueBank, desistiu da operação antes da conclusão do processo junto ao Banco Central, em meio à deterioração do mercado. A transação havia sido aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).







