Prefeitos preparam mobilizações após saída de médicos do PSF em AL

Prefeitos do interior do estado preparam mobilização

  • 27 de setembro de 2011
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Prefeitos do interior do estado preparam uma grande mobilização, com passeatas pelas ruas, para tentar sensibilizar o governo sobre a saída de médicos do Programa Saúde da Família (PSF). Membros do Sindicato dos Médicos do Estado de Alagoas (Sinmed), Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS) e Associação dos Municípios Alagoanos estiveram reunidos, na manhã desta segunda-feira (26), na sede da AMA, em Maceió, para discutir uma solução à problemática.

Os médicos consideram inviável manter os serviços ofertados à população de baixa renda devido ao reduzido repasse pelo governo federal. Segundo o Sinmed, enquanto que a média nacional, para 40 horas semanais, é de 30 salários mínimos, em Alagoas os profissionais têm recebido ‘apenas’ dez.

"A situação é gravíssima e o maior culpado disso tudo é o próprio governo federal, por meio do Ministério da Saúde, que não tem trabalhado para garantir o devido funcionamento do PSF em Alagoas, sobretudo nas cidades de menor porte e que sobrevivem quase que exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM", comentou o presidente do Sindicato dos Médicos, Wellington Galvão.

Segundo o sindicalista, já são muitos os casos de profissionais que estão deixando Alagoas. "São inúmeras as situações em que o médico precisa recorrer à iniciativa privada, quando não deixa o Estado em busca de valorização", emendou Wellington, acrescentando que a AMA, por meio do prefeito de Quebrangulo, Marcelo Lima, irá constituir uma comissão com o exclusivo intuito de discutir o tema mais amplamente.

"Os prefeitos irão preparar uma grande mobilização, com passeatas pelas ruas da capital e interior, a fim de sensibilizar o governo quanto à gravidade do problema, já que eles também alegam a impossibilidade de arcar com um salário superior à sugestão que fizemos na reunião desta segunda", reforçou o presidente do Sindicato dos Médicos, sobre a proposta que prevêa implantação de um piso de R$ 9.188,00 para 20 horas trabalhadas.

"Nós entendemos a dificuldade para a contrapartida das Prefeituras, mas nada poderemos fazer se os médicos decidirem pela demissão, já que o problema envolve a dignidade e a própria sobrevivência dos profissionais", complementou Wellington, afirmando ainda que os prefeitos também disseram não haver como se firmar compromisso quanto à implantação de um Plano de Cargos e Carreira (PCC).

"Infelizmente, não chegaremos a uma solução caso não haja um aporte de recurso financeiro pelo governo federal, já que as Prefeituras também estão preocupadas, segundo relato dos gestores que se fizeram presentes ao encontro, com a expectativa de redução no repasse do FPM. Já são quinze anos sem reajuste", concluiu Wellington Galvão.

A partir das 19 horas desta terça-feira (27), na sede do Sinmed, no bairro do Trapiche, em Maceió, os médicos irão discutir o assunto em assembleia, havendo a possibilidade de os profissionais abandonarem o programa no Estado. Outro encontro será realizado na quarta-feira (28), só que em Arapiraca. "Para ambos, também convidamos a procuradora do Ministério Público Federal em Alagoas, Niédja Káspary, bem como sindicatos de outras categorias, a fim de que possamos debater a recomendação ‘impositiva’ deste órgão quanto ao cumprimento das quarenta horas semanais por nós médicos".

 

Gazetaweb.com