Ex-secretária de saúde desabafa, fala sobre sua saída, Luiz Aureliano e o prefeito Anilton
"O difícil foi ter que "engolir" como ela (a demissão do noivo) aconteceu. Se aquele secretário tinha interesse em atingir direta ou indiretamente a mim ou a Felipe, bastava exonerá-lo. Não precisava, sequer, justificar sua saída."
Redação
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Andrea recebeu a equipe do Portal
em sua residência.
A ex-secretária municipal de saúde de Paulo Afonso, Andrea Bathomarco concedeu na tarde deste domingo (06/02), uma entrevista exclusiva ao Portal OzildoAlves e ao Programa Tribuna do Povo, da Rádio Betel FM. Andrea foi a dona da pasta da saúde durante 1 ano, no período de janeiro a dezembro de 2010. A enfermeira era uma das pessoas de confiança do Prefeito Anilton Bastos (DEM). Ela vestiu a camisa do grupo político liderado pelo ex-deputado Luiz de Deus e encabeçou a vitoriosa campanha eleitoral de 2008, que conduziu Anilton ao paço municipal.
Mesmo magoada pela forma com que ocorreu a sua saída e pela omissão do prefeito – em momento algum Anilton a procurou para ao menos ouvir a sua versão – as declarações de Andrea foram prudentes, ela agiu mais pela razão do que pela emoção. Porém, foi dura ao responder as insinuações de Luiz Aureliano, que em entrevista nesse mesmo portal, deixou a entender que Andrea protegia o noivo – o enfermeiro Felipe – ex-SAMU. Aureliano demitiu Felipe, Andrea não aceitou e também deixou a prefeitura.
A ex-secretária disse ainda que ficou surpresa com a declaração do prefeito Anilton, que ao voltar de férias elogiou as ações iniciais de Luiz Aureliano. A enfermeira também falou sobre a grave denúnica do secretário, quando afirmou que nos últimos meses havia médico trabalhando pela prefeitura sem atender nenhum paciente. Veja:
Andréa, você se surpreendeu quando soube que o prefeito Anilton Bastos iria lhe substituir por Luiz Aureliano na Secretaria de Saúde?
R: Não me surpreendi tendo em vista que pela própria natureza do cargo – livre nomeação e exoneração – isso poderia acontecer a qualquer momento. Isso é escolha do prefeito e ele deve colocar aquele que achar conveniente.
Entendo que, por questões de conveniências políticas haja, eventualmente, mudanças no secretariado. Isso, inclusive, tem sido o padrão nos mais diversos setores do Executivo Nacional. Só lamentei pela maneira como essa questão foi tratada.
Você e o prefeito sempre diziam que a saúde estava bem, então, em sua opinião, quais os motivos de sua exoneração?
R: Durante a minha gestão, eu e minha equipe conseguimos muitas conquistas, vários avanços. No entanto, a demanda por serviços de saúde é muito acentuada no nosso município. Tive sempre o desejo de avançar, diminuir as distorções encontradas entre os setores públicos e privados e está cada vez mais presente no atendimento as necessidades de saúde pública da população. E, enquanto isso acontecer nos nossos sistemas de saúde podemos dizer que "vai bem" porque há um crescimento, uma evolução na rede de atendimento e da qualificação desses serviços.
Após a entrada de Aureliano, muita coisa aconteceu, várias demissões de pessoas de confiança de Anilton. Você foi remanejada para dirigir o HMPA e quando uma pessoa querida sua, seu noivo, o enfermeiro Felipe foi demitido por Aureliano, você também resolve sair. O que aconteceu?
R: Como já relatei, a mudança no secretariado acontece. É previsível. Qualquer profissional que se comprometa em assumir uma secretaria ou qualquer outro cargo de gestão sabe disso. No entanto, as transições devem ocorrer de maneira urbana, respeitosa, não só com esses profissionais, mas para com a Administração Pública.
Não desejo fazer parte de qualquer equipe que não impere o respeito e comprometimento com os princípios da administração pública.
Aureliano insinuou na entrevista que era ele – Felipe – quem escolhia o dia de dar plantão no SAMU, isso acontecia?
R: Declarar que aquele profissional era favorecido ou era ele quem escolhia, é, no mínimo, um desrespeito não só a mim e a ele, mas a todos aqueles coordenadores que participam da gestão daquela unidade.
Esta escala era elaborada unicamente pelos coordenadores daquela unidade estabelecendo um determinado número de plantões aos profissionais que ali trabalhavam, e, seus coordenadores nunca se sujeitaram a quaisquer interferências.
Destaco que o enfermeiro Felipe já era integrante do SAMU antes mesmo de eu assumir a Secretaria de Saúde deste município. Esse profissional foi convidado a integrar aquela unidade em razão de sua alta qualificação profissional e sua vasta experiência na prestação de seus serviços em diversas localidades de nossa região, como por exemplo: Jeremoabo, Postos de Saúde do Arrastapé e São José e, nesta cidade de Paulo Afonso, onde, sempre foi reconhecido pela sua qualificação e profissionalismo.
Houve muitas especulações em torno desse assunto. Como era o trabalho de Felipe e qual a relação dele com o Recife? O que fazia lá? E isso atrapalhava os plantões no SAMU?
R: Felipe tinha uma jornada de trabalho igual a todos os outros plantonistas daquela unidade. O compromisso estabelecido para os enfermeiros era um dia por semana e era rigorosamente cumprido. Após seu plantão o mesmo se deslocava para o Recife para cuidar de questões familiares – o pai estava gravemente enfermo na UTI do Hospital Português, com uma forte infecção neurológica, o que, inclusive, ocasionou sérias sequelas. E, apesar de todo esse sofrimento, foi obrigado a se desligar daquela unidade a qual tinha o maior orgulho de pertencer. Lamentável!
Foi difícil para você aceitar a exoneração dele?
R: O difícil foi ter que "engolir" como ela aconteceu. Se aquele secretário tinha interesse em atingir direta ou indiretamente a mim ou a Felipe, que tomasse as medidas legais adequadas. Bastava exonerá-lo. Não precisava, sequer, justificar sua saída. No entanto, ao contrário, quis criar junto a população a ideia de que o mesmo não era comprometido. Não tenho dúvida que se ele conhecesse Felipe de perto teria tido um bom referencial e cordialidade e compromisso com o trabalho.
Você ficou um ano a frente da Secretaria de Saúde como você avalia seu trabalho durante esse período? Conseguiu realizar o que estava planejando?
R: Tenho a consciência que me dediquei de corpo e alma para aquela atribuição. Conseguimos implementar várias ações, conseguimos desenvolver alguns projetos de interesse da nossa população.
Podemos citar alguns exemplos bem sucedidos como a implantação do PSF Dr. Américo; viabilizamos a implantação do laboratório de cultura de BK e um sala de reabilitação, ambos instalados no SEDERPAS, e outro laboratório de sorologia e sala de fisioterapia com instalações no Centro Médico, dentre outros projetos a serem realizados em 2011, como o LACEN, UPA tipo II, Unidade Básica de Saúde (USB) que comportará três PSF, telemedicina, dentre outros.
No entanto, entendo que quem deve julgar é a própria população a qual todos os serviços são destinados.
O que você achou da declaração de Anilton quando voltou de férias e disse que estava satisfeito com as ações iniciais de Aureliano como novo Secretário de Saúde, você se sentiu atingida?
R: Não posso negar que o posicionamento do Sr, prefeito frente a esses acontecimentos me deixou surpresa.

Aureliano também afirmou que havia médico que trabalhava na prefeitura e não atendeu nenhum paciente nos últimos meses, isso realmente aconteceu?
R: Administrar toda a estrutura de saúde de um município como Paulo Afonso não é fácil. Há complexas unidades, setores e departamentos que precisam funcionar na mais completa harmonia para que se possa atingir a esperada eficiência dos serviços de saúde.
Assim, são delegadas responsabilidades aos diretores e coordenadores de várias unidades para que esses promovam o efetivo controle administrativo local sob essas unidades, departamentos ou setores e, posteriormente, reportem-se ao seu superior, no caso, Secretária(o) de Saúde.
É com base nos relatórios que nos chegam que tomamos uma boa parte das decisões administrativas.
Quero destacar que em momento algum houve quaisquer manifestações por parte desses diretores de hospital ou do próprio SAMU pela simples razão de que isso jamais aconteceu durante todo o período da minha administração. Tenho convicção que aqueles profissionais são pessoas comprometidas com o bom serviço público e com a moral administrativa e, em momento algum, se sujeitariam a quaisquer atos contrários as suas obrigações legais.
No entanto, caso houvesse quaisquer informações nesse sentido, evidentemente que tomaria as medidas necessárias a apurar a irregularidades e punir os eventuais responsáveis.
Considerações finais
R: Gostaria de agradecer aos profissionais que compõem a equipe de saúde do município de Paulo Afonso, que não mediram esforços para desempenhar um trabalho voltado para a população com respeito e dignidade. Agradecer as pessoas pelo apoio que tem dado a mim e minha família, pelo momento difícil que passamos e pelo reconhecimento trabalho desempenhado por toda equipe que compunha a Secretaria de Saúde.



