Foi assim que os deputados estaduais ou funcionários da Casa de Tavares Bastos farrearam em viagens ou gastos em papelaria, tudo em 2010, driblando o Ministério Público Estadual ou o Tribunal de Contas do Estado- órgão auxiliar da Assembleia, de fiscalização das contas públicas.
Interessante era o discurso da oposição, na disputa pela Mesa Diretora da Assembleia, na semana passada: tamanha é a crise no legislativo estadual que não existe material de limpeza ou de escritório.
Só que existe dinheiro. Somados, os gastos sem licitação ficaram em R$ 1,6 milhão. Exatos: R$ 1.693.170,2.
Curtindo a melhor parte no uso da máquina pública- gastar indiscriminadamente- os deputados ou funcionários esbanjaram R$ 3.134,35 em um único dia: 23 de março de 2010. O gasto foi em viagem.
O gasto em viagem não especifica o lugar.
Em 06 de maio, mais viagens. Os cofres da Assembleia despejaram, de uma só vez, R$ 2.317,1.
Em 10/06, mais viagens: R$ 2.317,1.
O Legislativo estadual estava de férias no mês de julho. Por isso, em 06 de julho, mais uma viagem por conta da Viúva: R$ 588,24.
E dois dias antes do feriado de 16 de setembro, no dia 14, duas viagens: R$ 1.056,96.
Contando com uma outra viagem de R$ 1.720,00, a soma total- de viagens em 2010- fica em R$ 9.795,65.
A crise do papel
A contratação de duas microempresas- para material de escritório- somaram R$ 102.774,55. Tudo sem licitação.
No dia 23 de março, houve uma crise de falta de material. Tanto que, em um único dia, foram feitas três compras- de uma só empresa- driblando a lei de licitações: gastos superiores a R$ 8 mil, a contratação- obrigatoriamente- tem de ser feita por licitação.
Só que neste dia a despesa foi fracionada em três. Somadas: R$ 23.549,28.
Dois dias depois- de outra empresa- mais gastos em material de escritório. Duas compras fracionadas- nunca superando os R$ 8 mil- e R$ 12.900, na soma.
Em 06 de maio, nova crise do papel. E mais um "jeitinho" na lei de licitações: R$ 7.929,45.
Um dia antes- em outra empresa- mais R$ 3 mil em material de escritório.
Em 06 de julho- nas férias dos deputados- nova crise do papel. E mais R$ 7.853,80, novamente um drible a lei de licitações.
Isso em uma empresa. Porque na outra, no dia 15 de julho, os deputados sugaram R$ 4 mil- fracionados- para a compra de mais material de escritório.
E os gastos continuaram- beirando o limite dos R$ 8 mil. Em 13 de setembro, R$ 7.952,70; em 11 de novembro, R$ 7.888,42; em primeiro de dezembro, R$ 7.967,36. No mesmo dia- em um recado ao MP e ao TC- mais gastos fracionados: R$ 7.970,00.
Apagão de computadores
O conserto dos computadores da Assembleia impressiona. Os deputados gastaram R$ 40.600 em um único ano. Tudo? Sem licitação.
Em 22 de junho- dois dias antes das festas de São João- parece ter havido uma pane na Assembleia. O gasto com os computadores ficou em R$ 23.549,28. Todos fracionados.
Em 5 de agosto, R$ 7.200 para o conserto dos computadores. Gastos fracionados.
Em 13 de setembro- três dias antes do feriado- os computadores voltaram a quebrar na Assembleia. E R$ 4.600 para os consertos, novamente driblando a lei de licitações.
2010 foi ano de eleição- e de aparição nos meios de comunicação- e os gastos com uma empresa de áudio e vídeo também seguiram sem licitação. R$ 140 mil quase mensalmente. Resultado da conta: R$ 1.540.000.
A nova Mesa Diretora- formada pelos deputados Fernando Toledo (PSDB) e Antônio Albuquerque (PT do B)- promete moralidade nas contas públicas da Casa de Tavares Bastos. Não falaram se permanece o drible na lei de licitações.



