Doze anos do crime e acusados ainda continuam impunes
Fonte: Cadaminuto.com.br
Dia de 16 de dezembro, o ano era 1998. A data foi marcada pela diplomação dos políticos eleitos, mas na história, será relembrada por outro fato: o assassinato da deputada federal eleita pelo PSDB, Ceci Cunha. E apesar de toda a repercussão do caso, os mandantes continuam impunes.
Doze anos após o assassinato, que ficou conhecido como a ‘Chacina da Gruta’, o processo ainda corre na justiça, sem conclusão e punição dos acusados. A médica foi morta a tiros por pistoleiros, ao lado do marido, Juvenal Cunha, do cunhado, Iran Carlos Maranhão, e de Ítala Maranhão, mãe de Iran.
Ela estava na casa do cunhado, no bairro Gruta de Lourdes, em Maceió, onde comemoraria a eleição. Em suas mãos ainda estava uma flor branca, que ganhara de uma eleitora. O vestido azul, com o qual havia recebido o diploma, ficou tinto de sangue. Sentada, Ceci foi atingida na nuca.
A autoria intelectual do crime é atribuída a Talvane Albuquerque, na época, suplente da deputada. Para o Ministério Público, ele queria o cargo e a imunidade parlamentar que dele adviria. Jadielson Barbosa da Silva, Alécio César Alves Vasco, José Alexandre dos Santos e Mendonça Medeiros da Silva, assessores e seguranças de Albuquerque, foram apontados como executores.
De acordo com o advogado José Fragoso, que atua como assistente de acusação, um recurso interposto pelos acusados foi negado. O novo embargo de declaração foi julgado improcedente pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas.
No final de 2009, a Câmara Criminal do TJ decidiu que o processo sobre a morte de Ceci Cunha será feito na esfera federal. Na época da decisão, o advogado explicou que o recurso pedia que o caso foi fosse julgado na esfera federal. "Acredita-se que o caso não seria de competência do judiciário estadual", disse. No momento, a acusação aguarda que o processo seja remetido à Justiça Federal, mas ainda não há previsão de quando ocorra o julgamento.
Relembre o caso
De acordo com o processo que tramita na Justiça Federal, no dia de 16 de dezembro de 1998, no dia da diplomação dos eleitos no pleito de 1998, os assessores do médico e então Deputado Federal Talvane Albuquerque, executaram a seu mando um plano para executar a Deputada Ceci Cunha.
Mendonça Medeiros, um dos assessores de Talvane confessou à Polícia Federal que esteve no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, no Barro Duro, onde acontecia a cerimônia de diplomação dos eleitos, para constatar a presença de Ceci Cunha e avisar aos encarregados da sua execução.
Ao sair do Fórum, Ceci Cunha, seguida pelos assessores de Talvane, foi visitar sua irmã que acabara de dar a luz e, por volta de 19:30, a varanda da casa no bairro da Gruta de Lourdes, em Maceió, onde conversavam a Deputada Ceci, seu marido Juvenal Cunha, a senhora ítala Maranhão, seu filho Iran Maranhão e mais dois sobreviventes, foi invadida por três assessores de Talvane fortemente armados: Jadielson Barbosa da Silva; Alécio César Alves e José Alexandre, que disparam vários tiros, não dando chances de defesa e provocando a morte de quase todos que estavam na varanda.
Ceci Cunha morreu sentada, com uma flor branca no colo (as fotos da tragédia não serão mostradas como forma de proteção dos familiares, que até os dias atuais não as viram). O crime ficou conhecido como "a chacina da Gruta".
Após a brutal chacina, os assessores de Talvane seguiram para Satuba, onde encontraram com Mendonça Medeiros (que estava com outro veículo, pertencente ao cunhado de Talvane) e queimaram o Uno verde usado na perseguição e na fuga.
De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, o crime teve como motivação a não eleição do médico Talvane Albuquerque para um segundo mandato na Câmara Federal. Matar a Deputada Ceci, então, seria a única maneira de Talvane voltar ao cenário político e à imunidade parlamentar, pois ele era seu primeiro suplente.
Em março de 1999, Talvane chegou a assumir o lugar de Ceci na Câmara Federal, tendo logo depois perdido o mandato por falta de decoro parlamentar, devido às suas ligações com pistoleiros e sido preso juntamente com seus assessores.



