Objetos jogados no chão, funcionários assustados, o cofre e a dispensa vazios. Esta foi a cena encontrada na ONG Acasa, da cantora Sarajane, no dia seguinte à ação de um casal de assaltantes. Eles roubaram cerca de R$ 13 mil em dinheiro, 28 telefones celulares, aparelhos de som, roupas e até alimentos e bebidas, depois de manter cinco pessoas, entre funcionários e a própria artista, reféns sob a mira de revólver e faca por mais de cinco horas, das 10h às 15h.
De acordo com a cantora, o casal chegou à sede da ONG, na Rua Direta do Santo Antônio, por volta das 10 horas e pediu para almoçar no restaurante, onde também são promovidas aulas para garçom e ajudante de cozinha. "Eles tomaram dois refrigerantes e em seguida anunciaram o assalto", disse. A ONG Acasa oferece cursos de balé e maracatu a 85 crianças, mas na hora do assalto havia somente funcionários.
Descrito como moreno, magro, aparentando ter 23 anos e com um bigode fino, o assaltante estava armado com um revólver, enquanto sua comparsa armou-se com uma faca. Ela é descrita morena, alta, gorda e aparentando 25 anos. "Ele me tratou bem e ficava o tempo todo pedindo desculpas. Disse que só estava fazendo aquilo porque precisava pagar o tratamento do filho, que está com câncer. Ela parecia ser mais experiente", relatou.
A cantora disse que estava no andar de cima, trabalhando no computador, quando percebeu uma arma apontada para a cabeça. Ela foi forçada a descer e ficar com os outros reféns enquanto o casal de assaltantes "limpava" a dispensa e o cofre da ONG. Parte do dinheiro roubado era da própria cantora, fruto de pagamentos recebidos por shows durante o São João, e a outra era da ONG e seria destinada ao pagamento de funcionários e impostos.
"Roubaram até um isopor com cervejas", disse ela, descrevendo que os ladrões saíram da ONG com grandes sacos de lixo para levar o produto roubado. Um táxi esperava pelo casal do lado de fora da casa. A saída dos assaltantes foi filmada pelas câmeras de segurança de uma pousada que fica em frente à sede da ONG. Policiais da 2ª CP, onde foi registrada a queixa, já estão de posse das imagens, que serão utilizadas na identificação.
Quando os assaltantes deixaram a ONG, a cantora desmaiou e precisou ser atendida por uma equipe do Samu porque entrou em estado de choque. "Eu tremia e não conseguia reconhecer ninguém", descreveu.
Sarajane contou que a toda hora, durante o roubo, o assaltante recebia telefonemas de uma mesma pessoa, a quem dava satisfação sobre a ação, o que reforça a tese de participação de uma quarta pessoa no assalto. A cantora disse desconfiar de quem possa estar à frente não só do assalto à ONG, mas também à sua casa por três vezes nos últimos meses. Ela, no entanto, preferiu não revelar nomes.
Fonte: Valmar Hupsel Filho | A TARDE
Foto: Divulgação




