|
|
|
As imagens do cabo alagoano, acusado de participar em vários assassinados, foram vistas por todo Brasil, quando ele passou mal e precisou de socorro médico depois que soube da morte da filha. Ele contou à polícia que chegou a Maceió há dez dias. |
O ex-cabo Everaldo Pereira dos Santos foi apresentado na tarde desta segunda-feira, na sede da Polícia Civil, e disse que é um "arquivo vivo". "Lógico que tenho medo de morrer", admitiu. O ex-militar afirmou que nunca praticou crime. "Eu nunca matei ninguém. Até hoje só existe o dedo apontador", assegurou.
Com bigode e cabelo maior que as fotografias antigas, Everaldo reconheceu que tentou uma fuga no momento em que a casa de sua cunhada foi cercada. "Era a única coisa que tinha a fazer".
Bastante assustado e dizendo que estava passando mal, o ex-cabo fez revelações sobre a morte do delegado Ricardo Lessa – crime pelo qual foi condenado a 33 anos de prisão. "Já falei para os delegados, vou falar publicamente. Quem arquitetou foi o Rubens Quintela [ex-secretário estadual de Segurança], tinha o [ex-tentente-coronel] Cavalcante no meio, Cícero Dutra no meio. Contrataram pistoleiros de Pernambuco. Foram eles que arquitetaram o crime e queriam me matar no enterro. Por isso fugi", disse.
"O [Ronaldo] Lessa [ex-governador] não sabia de nada. Se soubesse, não teria nomeado o Rubens Quintella", completou.
Ele ainda negou qualquer envolvimento com o crime em São Paulo, como chegou a ser acusado pela Polícia Civil alagoana. "Graças a Deus o juiz e desembargadores de São Paulo descartaram isso. Eu tinha dois empregos de carteira assinada lá, como segurança, tinha escala quatro por dois. Como ia formar quadrilha?", questionou.
Sobre o assassinato da filha pelo ex-namorado, ele voltou a dizer que tratava Lindemberg "como um filho" e que o fato destruiu sua vida. "Minha filha era uma dádiva divina. Uma tragédia. Perdi os meus sentidos. Aquilo acabou com a minha vida, me desestruturou. Passei a ter problemas de saúde. Mas minha família está unida e está comigo. Tenho muita saudade da minha mulher e dos meus filhos".
O pai de Eloá não quis comentar sobre seus destinos antes de ser preso em Maceió, nem há quanto tempo estaria em Alagoas. Segundo o delegado José Edson, da Polícia Civil, ele estaria em Alagoas há pelo menos 10 dias. "Ele teve passagem também por outro país, no caso, a Bolívia. Nós sabíamos disso antes de prendê-lo, e ele confirmou", afirmou.O diretor-geral adjunto da Polícia Civil em Alagoas, José Edson, afirmou que o ex-cabo Everaldo deve ser beneficiado pelo programa de delação premiada. "É provável que sim. Desde que ele se inclua em todos os critérios, vamos oferecer o benefício a ele", explicou.
Segundo Edson, a prisão de Everaldo deve ajudar a esclarecer vários crimes no Estado. "Ele tem muito a falar e pode nos ajudar a esclarecer vários crimes. E nós vamos investigar, seja quem for", alertou.
Edson ainda disse que o foragido tinha dois mandados de prisão em aberto e ainda tinha a condenação de 33 anos, aplicada pelo Tribunal do Júri, no mês passado.
Mesmo condenado a 33 anos de prisão e capturado nesta segunda, o ex-cabo Everaldo Pereira dos Santos, pai da jovem Eloá Cristina Pimentel, pode ter o julgamento anulado. A informação foi confirmada Tudo na Hora pelo advogado de defesa, Givan Lisboa, que revelou já ter impetrado mandado de justiça visando anular o veredicto proferido no dia 07 de novembro deste ano, sobre o assassinato do então chefe da Polícia Civil de Alagoas (PC/AL), Ricardo Lessa e do seu motorista, Antenor Carlota da Silva.
De acordo com Givan Lisboa, que garantiu não saber que o ex-cabo Everaldo Pereira dos Santos estava em Alagoas, o processo de anulação deve durar pelo menos um ano, mas ele acredita que o veredicto será revertido. "A sentença foi uma injustiça e creio que ela será anulada, para que um novo julgamento possa ocorrer e se faça, de verdade, justiça", frisou o advogado.
No dia do julgamento, ele chegou a afirmar, em entrevista ao Tudo na Hora, que seu cliente não deveria se apresentar à Justiça alagoana, já que o julgamento ocorreu sem a sua presença, uma vez que o condenado estava foragido há 15 anos. "Ele foi um bode expiatório dos verdadeiros assassinos de Ricardo Lessa e Antenor Carlota e, diante de uma sentença injusta, não deve se apresentar à Justiça, a menos que a Polícia de Alagoas o capture", salientou na oportunidade, parecendo prever o que se confirmou nesta segunda-feira.
Givan Lisboa garantiu ao Tudo na Hora que irá continuar defendendo o pai de Eloá Cristina Pimental das acusações imputadas a ele, além de voltar a reafirmar que fez a sua defesa sem cobrar os honorários, pois segundo justificou, "dinheiro não é tudo". O advogado revelou que se encontrará com o ex-cabo Everaldo Pereira dos Santos nesta terça-feira, mas preferiu não revelar o horário.
Fonte: www.cadaminuto.com.br

Depois de 15 anos foragido, o ex-cabo da Polícia Militar Everaldo Pereira dos Santos, que foi condenado por vários assassinatos, incluindo o do delegado Ricardo Lessa – irmão do ex-governador Ronaldo Lessa – e seu motorista, Antenor Carlota, foi preso, ontem pela manhã, em uma casa pertencente a uma cunhada – que não teve a identidade revelada pela polícia – localizada no Conjunto Eustáquio Gomes, no Tabuleiro do Martins. O cabo Everaldo ficou conhecido nacionalmente depois que sua filha, a jovem Eloá foi morta pelo ex-namorado Lindemberg Alves depois de um sequestro que durou mais de 100 horas e emocionou o País.

