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Na favela, a vida ganha a cor e o formato das palavras |
| Um grupo de mulheres se une para preencher a lacuna deixada pelo poder público; elas aprendem a ler, escrever e entender a lei do mundo |
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Quando o sol começa a se por, anunciando o fim do dia e toda Maceió se prepara para descansar de uma longa jornada de trabalho, a mensagem que chega do céu alaranjado a um grupo de mulheres da Favela Sururu de Capote, no Dique-Estrada, está longe de significar cama e tempo livre. Depois de um dia inteiro catando sururu e papelão, cuidando dos filhos e dos maridos, elas se reúnem no quintal de um dos barracos e preparam olhos e ouvidos para receber os ensinamentos transmitidos à meia luz. Espremidas em dois sofás antigos, já meio rasgados, 15 moradoras da favela grudam os olhos no pequeno quadro negro improvisado para aprender a ler, escrever e, principalmente, a lutar pelo que é seu. Há dois meses, a líder da comunidade, Vânia Teixeira, decidiu que não ia deixar suas vizinhas e amigas passarem pelo que ela própria já enfrentara na vida. A alagoana de 39 anos, que só cursou até o primeiro ano do Ensino Médio, envolveu-se com drogas e álcool, e vê até hoje os órgãos públicos negarem direitos básicos à sua comunidade. |
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