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No dia 16 de dezembro de 1998 o Brasil ficou chocado com a notícia do brutal assassinato da deputada tucana Ceci Cunha, a tiros de espingarda em Maceió. Na chacina também foram assassinados o marido da deputada, Juvenal Cunha, o cunhado, Iran Carlos Maranhão e a sogra da irmã, Ítala Neide Maranhão Pureza.
O crime ocorreu uma hora depois da cerimônia de diplomação dos deputados eleitos em 98, no Fórum de Maceió. "O Brasil inteiro foi atingido com uma violência carregada de ódio", definiu o então presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho.
Médica obstetra, Ceci foi à primeira mulher eleita para a Câmara Federal por Alagoas.
Principal aliada do então presidente Fernando Henrique Cardoso no sertão e no agreste alagoano, Ceci foi vereadora de Arapiraca por duas vezes e, em 98, foi eleita para seu segundo mandato como deputada federal, com 55 mil votos. Importante liderança no Estado, Ceci iria assumir a presidência do partido em Alagoas.
Em nota oficial publicada logo após a chacina, o PSDB repudiou o crime e exigiu a apuração completa e punição dos culpados. "O Brasil está indignado, a sociedade revoltada e o PSDB, de luto", disse a nota. "Basta de impunidade! Basta de omissão! O povo brasileiro não agüenta mais assistir aos desmandos, à arbitrariedade, à desfaçatez de covardes que invadem um lar e metralham pessoas de bem", completou.
Em outra nota oficial, o então líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Aécio Neves, atacou a ação do crime organizado em Alagoas e pediu providências. "Não se pode permitir que assassinos covardes, que se escondem na sombra de pistoleiros brutais, continuem convivendo com pessoas de bem", disse a nota.
Uma comissão de parlamentares do partido foi a Maceió para acompanhar o início dos trabalhos da Polícia Federal e da Polícia Civil para elucidar o crime e mostrar que o PSDB tinha total interesse na rápida apuração dos fatos e pretendia acompanhar dia-a-dia as investigações. O trabalho da polícia apontou o deputado Talvane Albuquerque, suplente da deputada, como principal suspeito de ser mandante do crime.
Imediatamente o Congresso Nacional se mobilizou e uma comissão de sindicância foi instituída com o objetivo de apurar a participação de Talvane.
No dia 07 de abril, quatro meses após a morte de Ceci, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a cassação do mandato de Talvane. O deputado foi acusado por falta de decoro parlamentar por ter mantido conversas com o pistoleiro Maurício Novaes, conhecido como Chapéu de Couro, e por ter financiado a fuga de seguranças pessoais, suspeitos de terem participado do assassinato da deputada.
HOMENAGENS
A Executiva Nacional do PSDB Mulher organizou uma manifestação, no dia 06 de janeiro de 1999, com a participação de parlamentares de diferentes partidos, familiares e amigos de Ceci. Foram jogadas flores no lago em frente ao Congresso Nacional e uma faixa foi erguida por familiares e amigos da deputada pedindo justiça.
No dia 13 de janeiro, o então Presidente Nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho, fez um emocionado discurso no plenário do Senado, no qual lembrou a trajetória pessoal, humanista e política de Ceci, de quem era amigo pessoal.
"Hoje ela virou referência para o Partido e para o Congresso", afirmou. O senador tucano recebeu apartes de 15 senadores de diferentes partidos, entre eles o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado. "Como líder do partido, com o coração indignado, repudio o crime contra a deputada de coragem, de coração grande, que nunca guardou ódio em seu coração", disse.
Na tarde do mesmo dia o Salão Negro do Congresso ficou lotado para a missa em homenagem a Ceci. Compareceram à missa o então vice-presidente da República, Marco Maciel, o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, líderes do Partido e Governo, familiares e centenas de parlamentares.
Os cem dias da morte de Ceei foram marcados por diversas homenagens.
Em Arapiraca, mais de 4 quatro mil pessoas participaram de uma grande passeata que contou com a presença de uma comitiva oficial do Congresso Nacional chefiada pelo senador Teotônio Vilela Filho. Além disso, a Juventude Nacional do PSDB promoveu diversas manifestações em 21 Estados para lembrar os cem dias sem Ceci.
Hoje, 8 anos após a chacina da gruta, que vitimou a deputada Ceci e familiares, os criminosos continuam impunes.
O ÚLTIMO ADEUS A CECI CUNHA
O enterro foi acompanhado por 48 mil pessoas e ocorreu em clima de comoção
A frase "Eu sou uma mulher feliz", foram as ultimas palavras da deputada Ceci Cunha, do PSDB de Alagoas, como mulher pública, cerca de meia hora antes de tombar sem vida, com um tiro de espingarda 12 atravessado em seu pescoço e uma rosa branca no colo, que acabara de ganhar da então senadora eleita pelo PT alagoano, Heloisa Helena.
Médica, 49 anos, Ceci Cunha, ou melhor, Josefa Santos Cunha, que foi vereadora por dois mandatos no município de Arapiraca, no Agreste de Alagoas e a 125 quilômetros de Maceió, foi diplomada pela Justiça Eleitoral do estado no final da tarde de quarta-feira, 16, junto com mais 41 políticos eleitos e reeleitos em 4 de outubro de 1998.
Dos nove deputados federais, apenas quatro compareceram para a diplomação e Ceci foi escolhida pelos três colegas para falar em nome deles. Mas o discurso da deputada não agradou aos colegas.
Ao contrário de falar pelo grupo, Ceci fez na verdade uma verdadeira prestação de sua vida política, destacou o apoio recebido pelo marido, o lanterneiro Juvenal Cunha Silva, pelos filhos Adríana e Rodrigo e concluiu dizendo ser uma "mulher feliz e realizada pessoalmente, profissionalmente e politicamente".
Se na solenidade o discurso de Ceci provocou polêmica, em menos de uma hora depois soou para quem o ouviu, como uma despedida.
Emocionada e intuitiva, Ceci nunca imaginou morrer assim. Indefesa, sentada em uma cadeira de madeira, na varanda da casa de sua irmã, Claudinete Vieira dos Santos, no bairro Gruta de Lourdes, um dos mais tradicionais da capital alagoana. Mas foi executada juntamente com seu marido, o cunhado Iran Carlos Maranhão e a sogra de sua irmã, Ítala Neide Maranhão Pureza, 58 anos.
Foi tudo muito rápido. Alguém entrou na varanda, perguntou quem era a deputada Ceci Cunha, ela voltou-se ao ouvir seu nome e foi fuzilada. Os tiros disparados pelos três pistoleiros acertaram ainda os familiares da parlamentar, sem perdão. Os matadores fugiram em um Fiat Uno verde, encontrado em menos de 24 horas depois, nas proximidades da Usina Terra Nova, no município de Pilar, a 37 quilômetros de Maceió.
Quem poderia contratar pistoleiros para matar Ceci! Ceci que nunca, nem como médica, nem como cidadã, nem como política, envolveu-se com violência organizada em Alagoas, segundo amigos, parentes e políticos em geral, de todos os partidos, A perplexidade deu origem a uma comoção em todo o Estado. Pela primeira vez na história de Alagoas ousou-se matar um político com mandato federal.
Era o recado do crime organizado. A execução de uma deputada federal, do partido do então presidente Fernando Henrique Cardoso, amiga pessoal e uma das maiores bases de sustentação eleitoral do presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho, e uma das maiores lideranças do Agreste e do baixo São Francisco de Alagoas.
Uma chacina no dia da diplomação dos eleitos. Bandidos esperando pela vítima à porta e até dentro do próprio prédio da justiça. Frente a frente com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Os deputados estaduais e federais, o Senador Teotônio Vilela Filho, a prefeita de Maceió, Kátia Bom e o então governador eleito, Ronaldo Lessa, o presidente do Poder Judiciário, representantes da sociedade civil organizada e os responsáveis pela área de segurança do Estado de Alagoas passaram a noite no plenário da Assembléia Legislativa para reuniões, informações e uma vigília, sob a garantia de uma sessão permanente, convocada exatamente em função da chacina.
O então Ministro da Justiça, Renan Calheiros, senador pelo PMDB de Alagoas, apressou-se em ir para sua terra, convocar as forças federais e garantir seu respaldo para identificar e punir os criminosos, materiais c intelectuais. A perícia da Polícia Civil do Estado, acompanhada por agentes da Polícia Federal, constatou que a execução foi feita por "profissionais". "Só Deus nos protege", desabafou o então governador eleito, Ronaldo Lessa diante dos corpos da deputada e de seu marido, velados na sede do Poder Legislativo.
O então governador, Manoel Gomes de Barros, que se encontrava em Brasília. Passou toda a madrugada em contato com políticos, seus secretários e familiares das vítimas. "Isso é uma agressão às instituições".
A então senadora eleita Heloisa Helena, sugeriu que as investigações começassem por todas as pessoas que de uma forma ou de outra, pudessem ser beneficiadas com a morte da parlamentar.
O então presidente da República, Fernando Henrique, em um dos vários contatos com o senador Téo Vilela, desde que soube do crime, disse que a execução de Ceci foi "uma violência ao Estado de Alagoas e ao Brasil". Os corpos da parlamentar e de seu marido seguiram para Arapiraca, onde foram velados na igreja catedral da cidade e sepultados no cemitério Pio XII, em Baixa Grande, Arapiraca.
Vários políticos e autoridades nacionais estiveram no velório e no sepultamento, como o então deputado Aécio Neves, hoje governador de Minas Gerais; senador Sérgio Machado, então líder do PSDB no Senado Federal, entre outros.
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