Campanha chama atenção para preconceito contra portadores do HIV
Nesta terça-feira, Sesau abriu campanha nacional e apresentou histórico da doença em Alagoas.
Sesau

Durante abertura da campanha, coordenadora explicou que preconceito dificulta a prevenção da doença.
Nesta terça-feira (1º), Dia Mundial de Luta Contra a Aids, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) promoveu, no pátio do órgão, a abertura da Campanha Nacional que este ano tem como tema: "Viver com Aids é Possível. Com o Preconceito Não". A campanha tem como objetivos apontar o número crescente de casos de Aids e chamar a atenção para o preconceito sofrido pelas pessoas contaminadas pelo vírus. Na ocasião, foi apresentado um breve histórico sobre o avanço do HIV em Alagoas, pela coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids, Fátima Rodrigues.
"O preconceito e a discriminação contra as pessoas vivendo com HIV/Aids são as maiores barreiras no combate à epidemia, ao adequado apoio, à assistência e ao tratamento da Aids e ao seu diagnóstico. A campanha lançada pelo Ministério da Saúde visa mostrar os desafios de lidar com a doença e evidenciar que o vírus não é o maior obstáculo para os infectados, mas, sim, o preconceito", afirma Fátima Rodrigues.
Ela chama a atenção para o fato da interiorização do vírus HIV, em Alagoas, mesmo diante da capital ainda concentrar a maioria dos casos. "Maceió registra o maior número de infectados, mas nos últimos anos temos registrado um aumento significativo de casos no interior, o que é motivo de preocupação para os técnicos da Sesau, pois dos 102 municípios alagoanos, 88 já contabilizaram casos de Aids", revela.
Fátima Rodrigues evidencia, ainda, que por muito tempo se associou a doença à homossexualidade, mas esta realidade mudou a partir do final da década de 80. Isso porque, a partir de então, a transmissão heterossexual passou a ser a principal via de disseminação da doença e, atualmente, as mulheres já aparecem quase no mesmo patamar de contaminação dos homens, de acordo com dados do Sinan/MS.
"O preconceito com os infectados pelo vírus HIV é muito grande e a desinformação levou as pessoas a ligarem a Aids ao homossexualismo. No entanto, os dados comprovam que o percentual de heterossexuais contaminados é imensamente maior do que os homossexuais, e que para cada 1,82 homens contaminados, uma mulher também contrai o vírus", informa a técnica da Sesau.
Em 1986, ano em que se registrou o primeiro caso de Aids em Alagoas, Maceió contabilizou três pessoas contaminadas pelo vírus HIV. Após 23 anos do primeiro alagoano infectado, dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), órgão vinculado ao Ministério da Saúde (MS), apontam que a doença avançou na capital alagoana, uma vez que dos 2.645 atingidos pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, 1.823 residem na maior cidade do Estado, correspondendo a 69% do total de portadores da doença.
Contaminação – Caracterizada como uma doença cuja contaminação ocorre principalmente pela relação sexual, o vírus da Aids pode ser encontrado no sangue, no esperma, na secreção vaginal e no leite materno das pessoas infectadas. Após o contágio, a doença pode demorar até 10 anos para se manifestar por meio de sintomas como febre alta, diarreia constante, crescimento dos gânglios linfáticos, perda de peso e erupções na pele.
Quando a resistência começa a cair ainda mais, várias doenças oportunistas começam a aparecer: pneumonia, alguns tipos de câncer, problemas neurológicos, perda de memória e dificuldades de coordenação motora. Caso não sejam tratadas de forma rápida e correta, estas doenças podem levar o soropositivo à morte rapidamente.
Prevenção – A prevenção é feita evitando-se todas as formas de contágio citadas acima. Com relação à transmissão via contato sexual, a maneira mais indicada é a utilização correta de preservativos durante as relações sexuais, sejam eles masculinos ou femininos. Outra maneira é a utilização de agulhas e seringas descartáveis em todos os procedimentos médicos.
Tratamento – Como não há um medicamento que cure a doença, há princípios ativos que fazem o controle do vírus na pessoa contaminada, sendo que o mais utilizado é o AZT (zidovudina). A principal função do AZT é impedir a reprodução do vírus da Aids ainda em sua fase inicial. Outros medicamentos usados no tratamento da doença são: DDI (didanosina), DDC (zalcitabina), 3TC (lamividina) e D4T (estavudina) .
Fonte: Josenildo Törres/Luciana Mendonça / Agência Alagoas



