Estudo aponta aumento da Aids em Salvador e Feira de Santana

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  • 28 de novembro de 2009
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Crédito: Divulgação

A coordenadora do Programa Municipal DST/Aids em Salvador, Maria do Socorro, recebeu com surpresa a informação de que, na capital baiana, aumentou em 41%  o número de pessoas  com Aids entre o ano de 1997 e 2007. O dado consta no Boletim Epidemiológico Aids/DST 2009, divulgado na última quinta-feira pelo Ministério da Saúde. O balanço partiu do levantamento dos casos da doença em 4.867 municípios brasileiros onde foi notificada pelo menos uma ocorrência.
 
"Eu não acredito num crescimento nessa proporção", afirmou Socorro, explicando que a descentralização dos programas DST/Aids pelo Estado teria possibilitado o aumento das notificações nos municípios. "Quando você  aumenta as coordenações, você testa mais. Aí vão aparecer mais casos porque a gente tem conhecimento deles", disse.

De acordo com Socorro, até 2004 o Estado tinha apenas oito municípios com o programa, hoje são 26. O motivo do aumento dos casos não seria, segundo ela, falta de investimento. Em 2007 e 2008, o  programa de DST/Aids em Salvador contou com cerca de dois milhões e meio de recursos do município e incentivos federais. Somente com recursos da Secretaria da Saúde Municipal, afirmou a coordenadora, foram comprados seis milhões de preservativos: "O importante a frisar é que o trabalho (de prevenção e assistência) é uma constante para a gente".

À frente do Centro Estadual Especializado no Diagnóstico, Assistência e Pesquisa (Cedap), o antigo Creaids, a médica ginecologista Valéria Macedo vem sentindo o  crescimento de infectados pelo aumento da própria demanda da unidade, que, segundo ela,  recebe por dia de seis a oito novos pacientes com Aids. De acordo com a coordenadoria estadual do Programa de DST/Aids (Sesab), de 1984   até 2008 foram registradas  em toda a Bahia 11.100 pessoas com Aids.  Somente este ano, foram notificados 438  casos. A estimativa é que existam hoje  630 mil pessoas infectadas com o HIV no Brasil.

Prevenção – Para o coordenador-geral do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids da Bahia (Gapa), Harley Henriques, o investimento ainda é pouco, mas contribuem também a falta de acesso à informação e o  baixo nível de instrução de populações como a nordestina.  "Temos de ficar atentos à  questão de que hoje estamos  lidando com a epidemia regionalizada", afirmou. No panorama nacional feito pelo Ministério da Saúde, detectou-se que aumentou  o número de pessoas contaminadas em cidades com até 50 mil habitantes, o que significa a interiorização da doença.

Para o  infectologista Carlos Sá, na busca pela diminuição dos casos,  deve estar o comportamento  preventivo de cada um, com o uso da camisinha, e, quando detectado o vírus, a adesão ao tratamento retroviral. No Serviço Municipal de Assistência Especializada (Semae), um dos centros de referência para os pacientes de Aids, em Salvador,  ele acompanhou desde o início  a paciente Maria*, 24, moradora da Liberdade. Não fosse o suporte médico dado por ele e outros profissionais, incluindo psicólogos, a paciente teria desistido do próprio tratamento à base dos coquetéis.  

"No começo, eu não aceitei a ajuda deles. Mas, depois, coloquei na cabeça que a vida não acaba assim. Por que eu não posso viver?", desabafou a jovem, que descobriu que tinha Aids depois ter sua filha.

*Maria é nome fictício da personagem entrevistada

 

Sidnei Matos, do A TARDE
redacao@pauloafonsonoticias.com.br